quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Histórias da Laura V

     Associação é tudo pra que possamos lembrar das coisas. A Laura já se deu conta disso. Esses tempos mostrei apresentei à ela o canal Rá Ti Bum. Gosto bastante pois é nacional e a programação é de ótima qualidade, além de não apelar nos comerciais.
Segunda, em visita à Dinda Ita, que estava assistindo televisão,  a crespa fez um pedido:
-Dinda, coloca naquele canal...
- Qual canal, Laura?
- Aquele... da música que a Helena gosta.
- "Que que tem na sopa do neném..."
- Não, aquela música do banho
- "Tchi bum, tchi bum, da cabeça ao bumbum..."
- Isso!!! Rá tim Bum!
     Há umas três semanas, a Laura fez uma reivindicação na volta da creche. Segundo ela, os colegas se deitam quase no final da aula pra tomar leite na mamadeira, e ela não permanecia com eles porque eu não mandava uma mamadeira (cheia de leite) pra ela. Falei com a tia Miti e ela me explicou que é da rotina dos pequenos o mamá no final do turno da tarde. A partir daquele dia, mando uma mamadeira pra alegria da neninha. Reivindicação atendida.
Ontem, ela reivindicou mais um item:
- Mãe, a Isadora, a , o Nicolás, a Mari... levam o bico pra aula, e a Laura não tem bico.
- Mas a Laura é menina grande, não precisa de bico.
- Preciso sim! Eu sou nenezinho, bem pequenininho!
Essa reivindicação não será atendida, nem sob fortes argumentos.
     Saímos pra comprar calcinhas pra Laura. A vendedora estava procurando as peças do tamanho adequado pra neninha, e ela dando opinião sobre as estampas das calcinhas:
- Olha, essa tem borboletas! Que linda!! 
- E essa!! Tem um monte de corujas! Adorei!
A vendedora achou o máximo as exclamações e começou a puxar papo:
- Tu já vais pro colégio?
- Sim! Eu vou na tia Miti, porque eu sou menina grande e uso calcinha!
No caixa, outra vendedora, encantada com os papos da Laura perguntou o que ela tinha comprado e ficou impressionada com os "esses" da resposta:
- Eu vim escolher umaS calcinhaS.
Na saída, pedi que ela desse tchau pras moças da loja. Elas ganharam mais que um tchau; vários "esses" novamente:
- Tchau! E obrigada pelaS calcinhaS!


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Histórias da Laura IV


     Música do dia da vovó na escola: "Como pode um peixe vivo viver fora da água fria..." Versão da Laura pra segunda parte da letra:
- "Como poderei viver, como poderei viver, sem a tua, sem a tua, sem a tua campainha."

     
Atenção durante a leitura do Pinoquio (acho que ela já estava cuidando o tamanho do meu nariz...).
Campainha, por sua vez, pra Belezinha é dita assim:
- Quem será que tá tocando a pancainha??!

     Laura e Pedro (de dois anos recém completados) brincando, brigando, etc. O Pedro se referia á Laura como "pofe", tanto é o poder de liderança da guria. Mas ele não baixou a bola pra ela, respondia da mesma forma. Discordando do que ele estava fazendo, com a voz alterada ela exclamou:
- Pedo, olha o que tu tá fazendo!!!
Ele, num tom de voz mais alto, respondeu:
- Eu não tô fazendo nada!!!!!!
Ela, arregalando os olhos, olhando ele de cima a baixo, balbuciou, impressionada com a petulância dele:
- Mas o que é isso?

     Essa última foi pra acabar comigo:
Leitura noturna de domingo à noite: Pinoquio, narrado pelo grilo falante e interpretado por mim. Chegando na parte em que o boneco começa a mentir pra Fada Azul e seu nariz cresce a ponto de ficar parecido com um galho de árvore, mamãe Dea explica à Laura a cena em questão. Ela se vira pra mim, apontado pro meu nariz:
- O nariz do Pinoquio cresceu que nem o teu, né mãe!
Tá certo que eu não tenho o nariz mais bonito do mundo, mas compará-lo ao do Pinóquio é dose!






sábado, 2 de agosto de 2014

Ser mãe de menina é...

     Acho que já escrevi aqui que não me vejo mãe de menino. No início da minha experiência como mãe, ainda na gestação, quando a Laura era Marcelo (Não conhece essa história? Vide as primeiras postagens e dê boas risadas!!), algo não encaixava direito... depois da confirmação de que uma menina estava à caminho, tudo ficou mais claro e certo pra mim. Acho que é o sexto sentido materno, sabia que no fundo era uma menina. Vá saber.

     Sei que ser mãe de menina é demais. A história da vaidade, dos esmaltes, maquiagem, "bebéis" nos cabelos, meias calças e saias rodadas é muito legal. Mesmo eu não sendo a mulher mais vaidosa de Santa Rosa, o lado feminino das pequenas me encanta... e o instinto presente nas meninas quando nanam as bonecas trocam fraldas, fazem comidinhas... Acho isso muito divertido!

     Até as artes das meninas me fascinam! Semana passada, coloquei grãos de arroz e feijão nas panelas da Laura pra que ela brincasse de fazer comida. Depois de um certo tempo de um silêncio aterrador, fui até o quarto dar aquela conferida e já no corredor senti o cheiro do perfuminho infantil que a crespa usa (a pedidos do papai Bruno, que adora um cheirinho).  Ela estava "cozinhando" o arroz e o feijão com o perfume. Sorte que havia pouco perfume no frasco...

- E tá ficando bem gostoso, mãe!
Me disse ela, estampando um sorriso de satisfação no rosto.
Comida no capricho, com aroma de perfume.

Dinda Mana provando o tempero da Laura.



     Andei conversando com mães de meninos, e concluí que escolher roupas desde a tenra idade é coisa de menina mesmo. Eles até preferem um tênis à outro, mas escolher o modelito de roupa desde a calcinha é coisa que as meninas fazem com maestria.  A Laura já tira a roupa sozinha e a forma que encontrei de tirá-la do banho sem a choradeira pra ficar mais tempo no chuveiro é propor que ela se vista sozinha. Sucesso total.

     A presença da Dinda Mana Luiza tem inspirado ainda mais o lado feminino da Laura. Ela adora acompanhar os rituais que a Luiza tem. A chapinha no cabelo, os esmaltes coloridos nas unhas, as tranças maravilhosas que ela faz nos cabelos da crespa e nos dela próprio. A unica coisa que deixa a Laura injuriada é o fato da Luiza querer privacidade na hora da troca de roupa. Ontem a noite conversei bastante com ela a esse respeito. Expliquei que a Mana é uma mocinha, que não gosta que outras pessoas a vejam sem roupa  e que a Laura deve esperar que a Dinda Mana se vista pra poder entrar no quarto dela.



quarta-feira, 23 de julho de 2014

As cobaias da Laura

     Ah... a vaidade feminina. A Laura descobriu a maquiagem. Já tem uns batons que ganhou de presente da Dinda Ita, da Greici, da Dinda Camila. Recentemente, descobriu onde guardo os meus poucos batons e seguido a pego pintando os lábios em frente ao espelho do nosso quarto.

     O batom é passado direitinho, ela quase não borra. Já o blush... pobre de quem estiver perto e for a sorteada para receber uma maquiagem da crespa.

     Domingo foi a vez da vó Mari ser contemplada. Ela ficou espetacular. O chão ficou espetacularmente pintado de rosa. As roupas da Laura espetaculares em tons rosa (calça, blusa, meias...).

     Hoje, eu e a prima Mariana fomos as escolhidas. A Mariana não via a Laura desde o final do ano, então, está matando a saudades e obviamente, se tornou a parceria preferida da Belezinha no dia de hoje. Detalhe: a Mariana não é criança, é a prima mais velha da Laura. Mesmo assim, entrou na brincadeira junto comigo.

     Depois que a Mariana foi embora aqui de casa (e a Laura foi junto com ela), segui meus afazeres na pintura das guarnições das portas do apartamento (sim, ainda os ajustes da casa nova...).  Estavam aqui dois caras que estavam instalando uns móveis, e quando um deles me viu com o rosto "maquiado", levou um susto e exclamou um "meu Deus...". Eu ri só aí me dei conta de que deveria estar glamurosa.

A Mariana, a Laura e o blush.

Mamãe glamorosa depois do toque especial do blush da Laurinha.


Batom passado com perfeição e uma lixadinha nas unhas pra passar o final de semana.

Vó Mari sendo maquiada no último domingo.


terça-feira, 22 de julho de 2014

O primeiro galo

     Domingo à noite, alguns Bruns reunidos no lar, doce lar dos Turra Sala. Acabávamos de sentar à mesa no festeiro para saborear a especialidade culinária do Bruno; o carreteiro.
A Laura, que se negou a experimentar o "arroz especial do papai", estava em pé numa poltrona, brincando. Eu, estava separando os talheres, o Bruno estava colocando a panela na mesa e o restante do pessoal se acomodava nas cadeiras, prontos para o jantar. Aí, pensei com os meus botões: " A Laura precisa tomar cuidado, se não é capaz de cair dessa poltrona ainda...". Foi o tempo de eu terminar de formular a frase mentalmente pra ouvir uma batida seca no chão e o choro dela. Sexto sentido de mãe...

     Descrito acima o primeiro galo da Laura. Sabia que esse fato aconteceria mais cedo ou mais tarde. Não há criança que não tenha tido um galo na cabeça de tamanho considerável sequer uma vez.  Claro que nesses dois anos e quase nove meses a Laura já bateu a cabeça. Mas não à ponto de criar o famigerado galo. O primogênito, no caso, encontra-se na parte posterior da cabeça (ela caiu de costas no chão),  e mesmo ficando imperceptível por causa dos cachos, é sim, de tamanho considerável.

     Depois de devidamente acudida, acalmada e aninhada no colo, ela voltou às brincadeiras. Só lembrou do galo na hora de dormir, deitada de costas na cama:
- Mãe, o galo tá doendo!
Não podia deixar de perder a piada:
- Então deita de lado, se não ele vai começar a cantar!

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Histórias da Laura III

     Em meio à tantas indagações sobre o novo lar, como está a casa nova, se já nos acomodamos... o que nós adultos fazemos? Respondemos: "Bem legal!" ou  mais especificamente no nosso caso: "Estamos nos finalmentes da reforma (ou nem tanto...)". Não são poucas as pessoas que vêm nos perguntar coisas desse tipo, e respondemos com educação. Já com as crianças...
Há algumas semanas atrás, a vó Lulu perguntou pra Laura:
- Laurinha, como está teu quarto novo?
E a Laurinha respondeu com um olhar blasé:
- Vai lá ver.


     A arte de desenhar vem sendo lapidada pela Laura. Já conhece as cores e semana passada consegui identificar os olhos, nariz e a boca de um coelhinho. Ontem ela resolveu desenhar com uma caneta de quadro branco. Enquanto a garatuja ficou só no papel, tudo bem. Quando notei que o silêncio estava se prolongando, resolvi conferir. Ela tinha pintado os dedos e as unhas com a caneta preta. Feliz e contente, arregalou os olhos quando me viu e disse:
- Olha, mãe!!! Pintei as unhas! Que lindo!!!!
E, esticando o braço, passou a admirar as unhas e metade dos dedos pintados de preto. Por último me solta essa:
- Amei o jeito que ficou!


     A Tani tirou uma foto da Martina e da Laura deitadas na cama, bem acomodadas embaixo de um cobertor fofinho e rodeadas de travesseiros. O comentário da Laura ao ver a foto no celular:
- Tu e mim, Martina.


     Ontem busquei o "boletim" do primeiro semestre escolar de 2014 da Laura. Principais características: linguagem excelente, participativa, espírito de liderança apurado  e gosta de ajudar a "organizar" a sala de aula, os colegas...   já falei que quando a Miti quiser se aposentar, a laura assume a coordenação da escola.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Do contra II

     Não vi nenhum jogo da copa do Mundo padrão Fifa do Brasil. A copa das copas passou desapercebida. Larguei de um trabalho de 10 anos, mudei de casa, me envolvi muito com a mudança, o ap ainda não está 100% pronto (obras infinitas...)... tudo isso fez com que não fizesse parte da "pátria de chuteiras".

     Ontem, na hora do jogo, estava lendo um bom livro no sofá de casa. A Laura estava na TAO com o Bruno, assistindo ao jogo Brasil X Alemanha. Perdi a noção do tempo e quando me dei conta, os dois estavam chegando em casa. Era o fim do primeiro tempo. A Alemanha ainda fez dois gols, que vi porque o Bruno ligou a televisão. Vi a perplexidade nos olhos dele. Imagino a perplexidade nos olhos de muita gente.

     Mas cada vez mais me considero do contra. Minha tristeza não foi pelos 7 gols sofridos pela seleção brasileira ontem. Fico triste em ver que o povo quer pão e circo, e que o voto é trocado por uma churrascada de final de semana. Me entristeço quando vejo tanta gente sem acesso á saúde de qualidade nesse país.  Fico triste, bem triste quando vejo a educação indo de mal a pior. Minha tristeza aumenta consideravelmente quando sou obrigada a pagar impostos altíssimos  - que, na minha inocente conclusão, deveriam ser revertidos em melhorias pro País, pro Estado e pro Município -;  mas não são.

     Chorar, me escabelar porque o Brasil perdeu feio da Alemanha? Não. Sinto vontade de chorar e de me escabelar quando percebo que esse país vai demorar muito pra entrar nos eixos. Sou do contra. Tão do contra que ficarei feliz se a Argentina levar a taça.