terça-feira, 19 de maio de 2015

Professor Ubiratã, o Bira.

     Todos que conhecem um pouco da minha trajetória sabem que eu fiz faculdade na Ulbra, em Torres. Sempre digo que era feliz e sabia, pois foi um privilégio morar e estudar na praia. Mas se engana redondamente quem acha que tudo o que eu aprendi na graduação entrou na minha cabeça via maresia. Me esforcei pra "carai" (procuro não pronunciar o caralho com todos os lhs e em sua total sonoridade pro causa da Laura - aliás, o próximo post será sobre o "carai"), varava madrugadas estudando e, pra completar a vida universitária, tínhamos certos professores que eram por demasia temidos pelos alunos, pela brabeza, pela cara feia com que éramos olhados, pelas mijadas (altas mijadas...) e pelas notas baixas nas aulas práticas. 
     A turma da periodontia (leia-se Sabrina, Festugatto e Daudh) causavam pesadelos. Do trio da Dentística só se escapava o Maurício, que sempre foi gente boa conosco. O Rinaldo e o Ubiratã... pelo amor da vaca jésey! Morríamos de medo deles. Tínhamos aula de Dentística pela manhã e de Perio no turno da tarde, tudo na segunda feira. Por vezes já começávamos a sofrer no domingo de manhã.  Me lembro de achar tudo mamão com açúcar na faculdade depois de ter passado por essas duas disciplinas. 

     Bueno,  o tempo passou e veio o Facebook pra gente saber por onde anda o pessoal das antigas. Da turma da Perio não sei nada (e acho que eles me mijariam por algum motivo se encontrasse com algum deles). Da Dentística mantenho contato com o Maurício, com o Rinaldo e com o Ubiratã.

     Ano passado, andava numas que não sabia que rumo tomar na vida, e fui procurar o Bira. Ele e a Carol receberam eu e o Bruno com caipirinha em casa. Ali deu pra ver que não era o Professor Ubiratã que estava batendo um papo comigo, era o meu colega Bira.   Conversamos bastante e eu resolvi fazer outra especialização. Gostei demais de trocar uma idéia com ele e com a Carol, me clareou muito as idéias.

     Recentemente, me matriculei num curso de Coroas, Facetas de Porcelana e Lentes de Contato (viva a estética odontológica!!) organizado pela Carol, tendo o Bira como professor. Pelo contato que tive com ele há alguns meses atrás, sabia que ele não iria nos tirar o couro como na graduação. E não errei. O que me deixou mais feliz foi perceber que quem estava nos dando aula, não era o Professor Ubiratã, e sim o nosso colega Bira, que sim, tem uma bagagem maior, é mestre na coisa e é um baita cara, mas que não nos escondeu o jogo. Nos mostrou coisas lindas que podemos fazer nos nossos consultórios, de uma jeito tri descontraído, engraçado e profissional ao mesmo tempo.

    Fui mostrar um preparo que fiz num dente pra ele e recebi um baita elogio!!! Brinquei que ele poderia ter me dado um elogio daqueles na Dentística I, e um ex colega completou pedindo uma nota maior do que 6,5 na prática.  Nos divertimos horrores relembrando o lado carrasco do Bira. Vários colegas da Odonto de torres fizeram esse curso, e tenho certeza que todos gostam mais dele agora do que na época que ele era o Professor Ubiratã. Até ele mesmo confessou que era meio ruinzinho conosco, entre as lembranças que inevitavelmente rolaram daqueles velhos tempos.

     Como eu sei que ele volta e meia lê o blog, quero deixar registrada aqui a minha admiração à esse cara e à Carol, a esposa dele (como diz o ditado: Por trás de um grande homem, sempre tem uma baita mulher).  Obrigada pelos conselhos e por partilhar os conhecimentos comigo. Espero poder encontrá-los em breve e poder colocar as pequenas (Gabi e Laura)  pra brincar.
... e fala essa Andrea...
A Carol, que tornou esse encontro tri bom!

Com a mão na massa.


Aprendendo sem ter que se preocupar com a nota da prática. 

Ah, se essa assopradinha acontecesse há uns 15 anos atrás, era ZERO! Hahaha!!


Casal parceria, nota 10!
O teacher Bira, eu e o certificado.


quinta-feira, 14 de maio de 2015

10 anos de namoro

     Uma crise de enxaqueca fortíssima me fez ser internada no hospital da Caridade ontem de noite. Depois de ser medicada e da dor ter me deixado em paz, me lembrei que há exatos 10 anos o Bruno se tornou oficialmente meu namorado.

     Dia 13 de maio de 2004 embarquei rumo aos EUA pra visitar o Bruninho. Essa história é muito legal, daria um baita filme. Nos conhecemos desde 1994 (!!) e depois de muitos encontros e desencontros o namoro engrenou, mesmo morando em hemisférios diferentes.  Naquela época, eu era fã das novelas da Globo, e estava passando América (pra quem não lembra, a Sol (Deborah Secco) tinha o sonho de ir aos EUA pra trabalhar, e fez "de um tudo" pra poder entrar e depois permanecer na terra do tio Sam.

     A minha história começa meses antes, quando o Bruno pediu que eu fosse visitá-lo. Pedido feito, pedido atendido. Fiz meu passaporte Italiano (a cidadania tinha saído um ano antes), parcelei a passagem em 10 vezes no cartão de crédito (paguei RS 3,15 o dólar aquela vez), juntei uma graninha e me mandei pra lá, com a cara e a coragem.

     Nunca tinha andado de avião, me perdi no aeroporto  de Guarulhos, (fiquei umas 3 horas vagando por lá), viajei mais 10 horas e segui o fluxo na chegada a Newark (achava que o aeroporto de lá era um pouco maior que a rodoviária de Porto Alegre...). O primeiro momento de aflição foi a espera interminável pela minha mala na esteira. Meu pai, quando ficou sabendo da minha "trip", disse que minha mala seria extraviada e que nunca mais eu a veria. Como estava debutando nos aeroportos da vida, fiquei tri feliz ao ver minha mala vindo na minha direção na esteira. Me deu vontade de ligar pra ele e contar a boa nova na hora!

     Fiquei 40 minutos na Imigração, só me lembrando da Sol da novela e pensando: "agora sim... vão me mandar de volta pra casa.". Após um baita chá de banco (eu sem falar quase nada de inglês), o fiscal me perguntou um monte de coisas (entre elas: como eu, com passaporte italiano, vinha de um vôo do Brasil e meu passaporte estava sem nenhum carimbo?; qual era minha ocupação no Brasil?; se eu tinha como comprovar que era dentista...) e finalmente carimbou meu passaporte.

     Quando vi o Bruno abrindo um sorriso pra mim e dizendo um "finalmente!!" todo feliz, esqueci do perrengue da imigração e do cansaço.

     E lá se vão 10 anos de namoro. Como ontem fiquei um tempo deitada, curtindo as primeiras horas sem dor depois de um dia inteiro sentindo minha cabeça latejar sem parar, pude me lembrar dos detalhes daqueles dias. Não foi um jeito tradicional de se comemorar 10 anos de namoro, ambos dividindo uma cama de hospital, cuidando pra não esbarrar no soro no meu braço. O que importa é que estivemos juntos e que eu me lembrei desse dia, já que faz anos que só nos lembramos do aniversário de casamento.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Barulho, o coelho de chocolate e o Xixa.

     Desde março estou fazendo aulas de dança flamenca. E pensa numa aluna empolgada! Comprei sapato específico, já tenho uma super saia rodada e sempre que posso visto meus apetrechos e danço em casa. Na quinta, cheguei em casa e comecei a bailar na sala, como das outras vezes, a diferença dessa vez é que estou batendo mais os pés no chão, pois estamos aprendendo novos passos e tal.

     Estava sendo observada pelo Bruno e pela Laura quando ela me aplaudiu e disse:
- Só não faz muito barulho com os pés que a Dona Terezinha tá dormindo ali embaixo!

     Sempre que ela começa a correr e a empurrar o seu carrinho de bonecas, nós chamamos a atenção dela, pois temos uma vizinha que mora no andar debaixo e não queremos incomodá-la. Agora foi a vez da Laura me chamar a atenção. Isso mostra que ela está aprendendo as lições de boa convivência com os vizinhos.





     Recebimento do coelhinho de chocolate da Páscoa da Dinda Moni com um certo atraso, mas muito bem vindo. o ser indagada pela vó Lulu se ela deixaria o coelhinho (já com as orelhas comidas) ali na casa da Vó, ela disse:
- Imagina se eu vou deixar meu coelho aqui! Vou levar ele pra casa, pra comer mais um pedacinho depois do almoço!

     Hoje o coelho já está com a parte traseira e a totalidade das orelhas comidas (mas é degustado sempre após as refeições, e em pequenas quantidades).




     Passamos o final de semana em Santo Ângelo, e a Laura se encantou com um cachorrinho de pelúcia que eu ganhei quando tinha 6 anos (Prêmio de Garota Simpatia da Escola Bem Me Quer, lá em 1985...). Ele lembra bastante a Bella pela quantidade de pêlos. A crespa não desgrudou do bicho, dormiu com ele, passeou com ele, lhe deu comidinha e um nome um tanto estranho: Xixa. 

      Por sugestão do vô G, o nome total cachorrinho ficou Xixa Geromel Turra Sala, e veio conosco pra Santa Rosa. Segundo a Laura, ele tinha um baita motivo pra viajar conosco:
- Ele me disse que quer conhecer a nossa casa!

LisBella e Xixa Geromel, a dupla de peludos aqui de casa.

domingo, 19 de abril de 2015

O acidente

     Sábado à tarde, um dia lindo de outono. O programa eleito foi passar a tarde no Parque de Exposições da cidade. Estávamos na casa da minha sogra, voltamos pra nossa casa a fim de arrumarmos a sacola com a toalha, os comes e bebes do piquenique e pegarmos a motoca da Laura e a Bella. Antes de irmos definitivamente ao Parque, voltamos até a casa da sogra pra confirmar quantas pessoas iriam ao total.  O Bruno estacionou o carro em frente a garagem da casa, entrou por ali mesmo na casa e a Bella foi atrás. Eu fiquei no carro com a Laura, que estava sentada no cadeirão com o cinto de segurança engatado.

     A casa da D. Lurdinha fica próxima a uma esquina numa avenida bem movimentada. Quem mora naquela volta, está acostumado com a velocidade dos carros. O ideal era instalar um quebra molas, uma lombada eletrônica ou até mesmo uma sinaleira naquele ponto. Mas o negócio aqui na cidade são rótulas.  Quem conhece Santa Rosa sabe a quantidade de rótulas que existe aqui. Em vários cruzamentos, há rótulas: grandes com canteiros e obras de arte, pequenas e até mínimas, sem a menor sinalização. É o caso da mínima rótula que foi instalada na esquina em questão. A avenida obviamente era preferencial, e os carros que andavam pela rua perpendicular, deveriam parar. Repetindo: não há sinalização nenhuma sobre a rótula que colocaram ali.

     Eu estava conversando com a Laura, virada pra trás, quando escutei um barulho forte de pneu cantando, e logo em seguida uma batida mais forte ainda, quando me dei conta, um carro estava vindo  na nossa direção. Ele rodopiou na avenida e bateu num terceiro carro que estava estacionado do outro lado da rua. Isso durou cerca de cinco segundos, mas deu tempo de eu pensar: "Foi na rótula... esse carro vem pra cima de nós!! Tenho que proteger a Laura!!"

     No instante que o carro parou, me dei conta que eu estava tremendo e vi o Bruno correndo na nossa direção. Olhei pra Laura e vi que ela estava com os olhos arregalados.
- O que foi isso, mãe?
- Um acidente filha. Mas tá tudo bem.

     Daí em diante foi uma correria. Fomos em direção aos feridos a fim de ajudá-los enquanto um vizinho ligava pra polícia e pro Samu. Eu seguia tremendo. Começou a juntar gente no local, muitos curiosos, mas alguns querendo ajudar. Todos concordaram que o acidente aconteceu pela falta de sinalização do local. Os comentários se resumiram em: "Quem sabe depois do quinto ou sexto acidente, eles coloquem placas sinalizando que há uma rótula aqui e que a avenida nesse ponto deixou de ser preferencial...". Quando constatamos que as pessoas envolvidas estavam machucadas, mas sem correr nenhum risco, fomos dar atenção á Laura. 

     Ela estava impressionada com o ocorrido, Explicamos o que estava acontecendo e principalmente porque sempre devemos andar de carro com o cinto de segurança afivelado. Chegando no Parque, ela contou a história pros amigos, mas com o passar do tempo, foi esquecendo de tudo.O Bruno, que "reconstituiu" o acidente depois, disse que o carro só não veio pra cima do nosso porque o eixo dele foi quebrado com a pancada, aí ele fez um desvio pro outro lado.

     Antes de dormir, ela me perguntou da moça que tinha se machucado (uma adolescente que não estava usando cinto e bateu a boca no painel do carro, cortando os lábios devido ao aparelhos dos dentes). Tranquilizei a crespa, dizendo que a moça estava bem. Novamente reforcei a importância do cinto.
- Que horror, né mãe?

     Antes de eu dormir, agradeci por estarmos bem e por não termos sido atingidas por aquela baita pancada. E percebi, mas uma vez, que a insistência pelo uso do cinto de segurança com a Laura vale á pena. Acho que depois de presenciar o acidente, ela entendeu a importância do uso do cinto.






sexta-feira, 17 de abril de 2015

A Páscoa

     A páscoa com 1 ano da Laura, pra ela, foi como um dia normal. Me esmerei com a Márcia pra fazer as patinhas do coelho, mas a neninha era muito pequena pra entender o que o coelhinho havia deixado pra ela.

     A Páscoa com 2 anos, foi passada aqui em Santa Rosa e em Tuparendi, na companhia dos primos Isabelli, Vicente e da ídola da Laura, a Martina. Rolou caça ao ninho, chocolates... mas ela estava mais afim de brincar mesmo, tanto que nem escrevi a respeito da Páscoa no ano passado (ressalva pra historinha de páscoa, lá de Torres).

     Esse ano a história foi completamente diferente. Há dias que ela vinha falando do coelhinho (devido ao trabalho da escola...). Eu, influenciada pela Laura (namorada do dindo Dani), resolvi fazer os ovos de Páscoa em casa. Disse pra crespa que precisávamos ajudar o coelhinho a fazer os ovos, e que perto da Páscoa ele viria buscá-los pra esconder pela casa.

     Na noite de sábado, o Bruno foi trabalhar e nós duas ficamos em casa. 

- Ok, Laura. Agora vamos dormir que o coelhinho deve estar vindo pra cá.
- Ah tá! Vou lá no banheiro fazer xixi e escovar os dentes!

     Depois de supervisionar as tarefas acima, fomos ambas pro quarto dela. Estava lendo uma história quando a Laura escutou o barulho de um carro na rua. Sussurrando ela disse:

- Escuta mãe. É o coelhinho!!
- Mas ele vem de carro?
- Sim! Sabe que ele não tem só aquelas patinhas fofas pra pular, ele sabe dirigir também, assim ó (imitando o gesto de pegar o volante e girá-lo)!

     Contive o riso e fiz uma cara de surpresa:
- Que fantástico! Eu não sabia que ele sabia dirigir! Mas quem te contou isso?
Ainda em sussurros:
- A Dinda Camila que me contou. Mas é segredo!

     Fomos dormir, O dia amanheceu, o Bruno chegou e antes de dormir, me ajudou a fazer as pegadas do coelho pela casa com Hipoglós, partindo do quarto dela, passando pelo corredor em direção á sala. Tomei a dianteira  e comecei a deixar as pegadas pelo chão.  Fiz uma atrás da outra, pois não tenho coordenação suficiente pra imitar as pegadas originais de um coelho.  Logo fui indagada pelo meu ajudante (que nessas alturas já estava vesgo de tanto sono, poreto...).

- Mas esse coelho é perneta?
- É... o coelho aqui de casa anda de skate. Lembra?
- Ah, é. Boa desculpa. Hehehe!!!
Coelho "perneta".



     Pouco depois, matutei em como deixar os ovinhos (iguais os da Tia Neida, do ano passado, em Torres) espalhados pela casa sem que a Bella nem as formigas devorassem tudo antes que a Laura pudesse achá-los. Solução encontrada: dividi os pacotes dos ovinhos em vasilhames de aperitivo e espalhei dela trilha do coelhinho perneta. O ninho com o ovo (feito por mim) e o vestido que a mãe comprou pra ela de presente, escondi ao lado da cristaleira.

Pouco depois das 10 da manhã, escutei barulhos no quarto da Laura e instantaneamente ela me chamou, eufórica:
- Mãe!! Vem ver uma coisa!!!

Com a maior cara de surpresa e alegria, ela apontou pras pegadas e exclamou, realizada:
- O coelhinho passou aqui!!



     Consegui registrar o momento em vídeo. A filmagem não ficou lá muito profissional, pois o mais legar ela ver a reação dela com os meus olhos, por isso não prestei muita atenção em como filmei. 

Após a euforia das pegadas, a realização em encontrar os muitos ovinhos e a grande dúvida:
- Mãe, onde o coelhinho andou que deixou as pegadas brancas?
- Ah... não sei, filha!! Sei que ás vezes ele pisa sem querer no pote de farinha.
- Mas isso não é farinha! É melequento!
- Pois é... o que será isso?


      Depois de perceber que a dúvida quanto a substância oriunda das pegadas do coelhinho não seria solucionada, ela propôs que limpássemos as pegadas dele. Ok. Eu e ela nos munimos de esponja e pano úmido e deixamos o chão brilhando.

     Acredito que até ela descobrir que o coelhinho da Páscoa é uma lenda, ainda vamos nos divertir muito com as reações da crespa com a caça aos ovinhos.



PS: Protelei ao máximo a publicação desse post pois tentei de todas as formas publicar o vídeo junto, mas como meu celular não vai muito com a minha cara e nem eu ando muito feliz com ele... deixei pra lá (assim como o vídeo, que se perdeu).

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Dentista menina, dentista menino.


     No final de semana passado, fizemos uma janta pros nossos sempre vizinhos Paulo e Vania (mais e senhorita bochechas Valentina) e pra um casal que a gente gosta bastante, e que estávamos devendo uma bóia há horas: a Karini e o Tiago (mais o Henrique, amigão da Laura e dono do topete mais lindo da região). Ambos dentistas.  O Henrique e a Laura brincaram muito e se deram tri bem. Ainda naquele dia, a Laura começou a se queixar de dor de dente. Estranhei... mas não dei muita bola. No domingo, mais queixas, aí disse que iria levar ela até o consultório pra que eu pudesse examinar os dentinhos. Recebi uma negativa como resposta. Aí disse que levaria ela em outro dentista. E me lembrei de comentar que os pais do Henrique são meus colegas de profissão.

- Laura, lembra da tia Karini? A mamãe do Henrique que jantou lá em casa?\
- Ahã.
- Ela é dentista!
- Que legal!
- E o pai do Henrique também é dentista! Legal, né?
- Mas ele é menino!
- E daí?
- E daí que só menina pode ser dentista.
- Menino também pode, filha!
- Não pode nada, mãe! Aí ele é... é... dentisto. Eu disse que não pode!

      Nunca tinha me dado por conta, mas a Laura só conhece dentistas mulheres. Eu, a Camila (minha irmã e dinda dela) e a Daia (minha parceira de consultório em Santa Rosa). E que o nome dentista, na cabeça dela, pela terminação, se refere a uma profissão exercida por meninAS. 

     Nessas horas a gente aprende a controlar o riso e a das as devidas explicações aos pequenos. Depois de esclarecidos os pontos sobre os dentistas e as dentistas, fiquei me lembrando do nosso diálogo e rindo (agora sim, sozinha).

     Ah! O que doía era uma afta, que já cicatrizou mas que continua rendendo assunto em casa.


quarta-feira, 25 de março de 2015

As férias, a barriga falante e o Tomás

FÉRIAS
      Merecidas férias. A Laura aproveitou cada minuto. Viajamos pro Uruguai, e ficamos hospedados na casa dos primos Raquel e Rolando. A Marisa e a Neli (funcionárias da casa) gostaram muito da pequena, e mesmo ambas falando em Espanhol, conseguiram se entender com a crespa.

     No primeiro dia que elas conheceram a Laura (que foi até a cozinha e se apresentou a elas...), durante o jantar, a Marisa e a Neli estavam tomando um mate quando a Laura chegou na cozinha anunciando:
- A janta tava muito boa!
- Oh si! Y que comiste?
- Não, eu não comi! Mas tava tudo muito bom!!
E vendo que elas não estavam comendo nada, avistou uma fruteira cheia e disse pras duas:
- Vocês podem comer banana, maçã... tudo o que tem por aqui.
Deu meia volta e voltou pra sala de jantar.

     Outra noite, a neninha pediu pra ajudar a Marisa a arrumar a mesa. E lá foi ela, toda faceira colocar os talheres ao lado dos pratos. No final da tarefa, ela veio orgulhosa:
- Mãe, eu sou uma botadeira.
- Botadeira... o que é isso?
- É quem bota a mesa com a Marisa!  E botadeira é em espanhol! Sabia?!

A BARRIGA FALANTE
     De volta a rotina, estávamos voltando pra casa caminhando, eu e a Laura na segunda feira, quase ao meio dia, quando ela me disse:
- Minha barriga tá fazendo um barulho estranho, mãe.
- Ela tá roncando?
- É!
- É porque é hora do almoço. Ela está dizendo: "Laura, quero comida!"
Ela fez um carinho no ventre e respondeu pra roncadeira:
- Já vai, barriga!  Eu vou almoçar logo, logo.

TOMÁS
     Hoje a crespa amanheceu falando do Tomás. "Meu amigo Tomás isso, o Tomás aquilo...". Até que ela me solta essa:
- Eu acho o Tomás tão lindo... 
- O Tomás da tia Cissa é bonito, Laura?
- Sim! Se eu acho ele bonito assim, ele é meu casamento. Né mãe? Que nem o papai é teu casamento.