sexta-feira, 27 de maio de 2016

A bombinha

     A Laura está com um problema de saúde recorrente: tosse forte e sibilância dos pulmões. Já fez longos tratamentos, fisioterapia... e assim que completa em média 20 dias do último tratamento, a tosse recomeça e a chiadeira também. Contabilizamos 9 meses de função.

     Esses dias, brincando na casa da Mari Prudente (uma das suas melhores amigas), a Laura ficou sabendo que a a amiga usa bombinha e adorou a ideia.
- Eu também quero usar bombinha!
- Ai, Laura... porque isso?
- Por que a Mari usa! Ela põe uma coisa na boca e aperta duas vezes, aí sai uma fumacinha... é muito legal!

       Há umas 2 consultas atrás, a pediatra da crespa cogitou a hipótese de utilizarmos a tal de bombinha se o quadro persistisse, mas como a última consulta não teve como causa principal a tosse, deixamos de lado o assunto. 

     Há duas semanas, a tosse voltou. Tratamos com os medicamentos que tínhamos em casa, sem obtermos lá muito resultado. Desde ontem, a Laura faz uma cara de sofrimento e diz, quase sem forças:

- Não tô me sentindo bem.
- O que tu estás sentindo, Laura?
- Meu corpo tá estranho.
- Dói alguma coisa?
- Não sei...  a cabeça, o ouvido...
Apesar da tosse forte, percebemos que as dores eram fruto da imaginação, aí resolvemos agir (muito delicadamente).
- Mas se tu não te sentes bem, vamos pro hospital?
- Não, não... não precisa! Acho que já tô melhor.

     Consulta agendada, rumamos pra pediatra hoje de tardinha. Depois de um exame minucioso (o que é de praxe da Dra. Maria Antônia), a Laura ficou brincando e eu e a Dra. conversando. Ela explicou que não tinha mais como escapar do uso da bombinha, ao menos até setembro. Ao escutar isso, a Laura arregalou os olhos, abriu a boca como quem deixa o queixo cair e exclamou:
- O que?!!! Vou usar bombinha??
- Sim, Laura. 
- Que nem a Mari!! Que legal!!!
- Mas e setembro vai demorar pra chegar?
- Sim, vai demorar,
- Oba!

     Na farmácia, ela contou pra todas as atendentes que a partir de hoje ela vai usar a bombinha.
Ao chegar em casa, ajudou a montar o espaçador com uma mestria invejável. E lembrou de uma recomendação importante da pediatra:
- Preciso levar a bombinha pra escola, porque tenho que usar ela antes da educação física e quero mostrar pros meus colegas.

     Desde que a tosse não volte mais, tá valendo levar a bombinha pra todos os lados. 



A bombinha da alegria.

domingo, 8 de maio de 2016

O dia das mães oficial

     Sexta pela manhã, a Laura se levantou e veio correndo em minha direção. Me abraçou, com um sorriso largo no rosto:
- Feliz dia das mães! Te amo!
Retribuí o abraço e agradeci. Entendi o carinho dela. Naquele dia seria a apresentação da escola, então dia das mães.

     Então, hoje, é oficialmente o dia das mães. O Bruno trabalhou a noite inteira, chegou em casa ás 7:30 da manhã. Como de costume, foi sapear na televisão e acabou dormindo no sofá. 

     Fui acordada pela Laura, ás 9:30, esperando outro abraço como o de sexta.
- Bom dia mãe. Vamos levantar?
- Bom dia, filha. Vamos sim.

     Prontamente ela abriu a persiana do nosso quarto e saiu de lá, enquanto eu ainda tentava abrir os olhos. Cheguei na sala, recebi um abraço, um beijo e um parabéns do Bruno, que despertou quando a Laura passou por ele em direção á cozinha. Ele perguntou pra crespa:
- Laura, sabe que dia é hoje?
Não obtendo resposta, ele me perguntou onde ela estava. Respondi que ela estava na cozinha, abrindo a geladeira. Novamente ele pergunta:
- Sabe que dia é hoje, Laura? Dia das mães! Vem dar um abraço e um beijo na mamãe!
A resposta foi surpreendente:
- Ninguém me dá comida!

     Caímos na risada. Passado um tempo, nos encontramos no banheiro. Eu escovando os dentes e ela sentada no vaso, fazendo xixi. 
- Hoje não é mais teu dia, mãe. 
- Como não? 
- Não. Já passou. 
E me olhando com uma cara de desalento, completou:
- Que pena, né?

     Depois de gargalhar novamente, fiquei pensando na romantização que ocorre em datas como hoje. E em como as crianças são espontâneas. O dia das mães pra ela já foi comemorado. Deu pra bola!

     Agora, o Bruno foi pro quarto e mais tarde almoçaremos na minha sogra. Quem sabe eu ganhe mais um abraço de dia das mães da Laura. E se não ganhar, tudo bem. Ganho beijos e afagos todos os dias.  

sábado, 7 de maio de 2016

Os dias das mães

Homenagem  do dia das mães 2016.

     Há 4 anos recebo homenagens do dia das mães da escolinha da Laura. Junto das homenagens, inevitavelmente vêm as lágrimas. Além delas, me divirto cada ano mais, pois conheço melhor os colegas dela, as outras crianças que frequentam a escola e seus pais e mães. 

     Todos os anos o pessoal da escola se esmera pra fazer uma festa legal em eventos desse tipo. E o legal é que todos entram no clima. Esse ano, a profe Cassi, do ballet, fez todas as mães dançarem. Foi muito divertido.  Ano passado, as mães participaram de uma mini gincana. Confesso que meu desempenho não foi dos melhores, devido a minha primeira (e única, até agora...) crise de sinusite. Passei o dia da apresentação de cama, até pensei em continuar ali, mas mãe é mãe, e mesmo troncha, com dor até no "grão do olho" (como diz meu pai...), com a cabeça latejando, me levantei do leito e fui prestigiar a filhota na apresentação.

     Os números artísticos das crianças se resumem nas apresentações dos meninos (capoeira), das meninas (ballet) e de todos juntos, onde eles cantam uma música linda e fazem todos chorar de emoção. Ocorrem algumas variações de ano pra ano, mas basicamente o esquema é este.

     Me lembro da tia Miti dizendo:
- Agora, nós convidamos as mamães pra se aproximarem do palco. E vocês, crianças, olhem bem nos olhos das mamães de vocês e cantem bem lindo pra elas. Ok?
- Siiiiiiim !!!!  Gritou o coro enquanto as mães de acomodavam nas primeiras fileiras de cadeiras ou no chão.

     Eu fui pro chão,  com dor na cabeça, na face... mas com o celular na mão pra filmar a performance da crespa. Ela me viu, nos abanamos e a música começou. Ergui o braço e deixei o celular filmar a cantoria. Obviamente, comecei a chorar. Chorava de emoção, de culpa (por ousar pensar em ficar em casa por causa da sinusite e perder de vê-la ali, toda linda, cantando pra mim) e de dor, já que me entupi mais ainda com tanta lágrima e secreção (ranho, no bom e velho português coloquial). Disfarcei um pouco olhando pra tela do celular. Quando voltei a olhar pro palco, recebia uma "chamada" da Laura, que com os dedinhos apontado pros olhos dela, dizia de longe:

- Mãe, é pra olhar pros olhos dos filhos!

     Depois dessa, comecei a rir e chorar ao mesmo tempo e obedeci; deixei o celular filmando e olhei o tempo todo nos olhos dela. No final da apresentação, cada criança foi se sentar com seus pais e assistimos um vídeo deles na creche (mais uma parte das homenagens). A Laura ficou em pé numa cadeira ao meu lado, acompanhando o vídeo a narrando as partes onde a turma dela aparecia.  Obviamente, mais uma vez, caí no choro. Ela me olhou "de ladial" e me perguntou, não compreendendo o porquê das lágrimas.
- Tá chorando, mãe?
- Não, não!! A mãe tá só limpando um cisco que caiu no olho... 
E de dez em dez segundos ela se virava e me olhava, desconfiada.
- Ai, mãe! Tá chorando??
- Não foi nada, filha!
- Mas então não chora! Não é pra ficar chorando, chorando...!!
- Tá bom.

     Os olhares "de ladial" seguiram até as palmas finais do vídeo. Me coloquei no lugar dela e lembro de também não gostar de ver a minha mãe chorando, em qualquer situação, mesmo que de emoção. Esse ano, pude derramar minhas lágrimas sem fiscalização, sem ter que inventar cisco no olho.




terça-feira, 26 de abril de 2016

Sem sustos desta vez.

     Ontem, nas lembranças que o Facebook nos mostra, completou 3 anos de um dos (graças a Deus) poucos mas grandes sustos que eu tive (até agora), como mãe. Tá lá, pra quem quiser recordar, o dia em que eu consegui trancar a Laura dentro do carro, quando ela tinha um ano e pouco.

     Ás vezes me lembro desse episódio, de como fiquei assustada, da ajuda que recebi, de como a porta do carro ficou (detonada...), de como a minha mão ficou dolorida por dias (de bater insistentemente com a pedra no vidro do carro). 

     Ano passado, aconteceu algo semelhante. Mas o desfecho foi tão diferente, que nem escrevi a respeito. Como a lembrança veio via internet e o acesso ao post de 3 anos atrás ficou mais fácil, vamos ao ocorrido de 2015:

     A Laura estava então com 3 anos e alguns meses, era frio, dia de semana. Eu tinha acabado de buscá-la na escola, estávamos chegando em casa do super. Ela foleava um livro, sentada no cadeirão, com o cinto de segurança afivelado. Eu desci do carro, fechei a minha porta, abri a porta de trás, tirei as sacolas do mercado do banco, fechei a porta, fazendo a volta no carro pra abrir a porta pra Laura e ajudá-la a descer, quando me dei conta que... esqueci a chave do carro no banco, onde estavam as sacolas; exatamente como da outra vez. Assim que me dei conta disso, o carro se trancou.

     Obviamente, me lembrei do cagaço de outrora, mas a partir desse momento, a história começou a mudar. Bati no vidro, ao lado da Laura e ela me olhou. Sorri pra ela, pedindo:

- Filha! Faz um favor pra mãe?

Ela balançou a cabeça, afirmativamente.

- Tira o cinto e puxa esse pininho aí da porta pra cima.
Aguardei até que ela tirasse o cinto e se debruçasse na porta.

- Esse aqui?
- Esse mesmo.

     Plim. Pronto. A porta se destrancou. Ela desceu do carro sozinha, eu peguei a chave que estava no banco, tranquei o carro (sem ninguém nem nada mais dentro) e ambas entramos em casa, tranquilamente. Chega de sustos desse tipo.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

As fadinhas da Luana

     A vida nos enche de surpresas, quando a gente menos espera. Há um mês atrás, numa tarde deliciosa de meditação e yoga, conheci pessoalmente a Vanessa, filha da Cirene, minha mestra mor de yoga e ayurveda, que eu tanto respeito e admiro. Aí veio a Luana e me deu um oi carinhoso. A Luana é amiga da Camila, minha irmã, e é irmã da Vick, fotógrafa gente finíssima que registrou nosso casamento e acompanhou a Laura no seu primeiro ano de vida, com suas fotos lindas.

     Pois bem, chamei as duas pra jantarem na nossa casa essa semana. Sei que elas são amigas de anos, mas do jeito que o papo e as conversas se desenrolaram, parecia que nós três nos conhecíamos desde sempre. Foi demais!

     A Laura, já devidamente instruída sobre a vinda delas, ficou curiosa pra conhecer a "Vanessa da yoga" e a "amiga da Dinda Camila". A crespa está na fase de se exibir. E foi o que ela fez. As gurias, super solícitas, deram corda, e a Laura aproveitou. Não poderia faltar o desfile do vestido de aia (sim, aquele que era meu e que a vó Mari tirou do fundo do baú). 

     Numa das várias performances da noite, ela se foi com o vestido andar de balanço, e exclamava:
- Gurias!! Eu já sei me balançar sozinha! Olhem só!!
     
     Querendo chegar no telhado, de tanto que ela se balançou, o fecho (ziper, reco... como queiram) do vestido se abriu, do meio das costas em direção ao pescoço. A Laura desceu do balanço muito maguary. Eu me surpreendi que isso não aconteceu antes; o vestido tem 33 anos, está com uns rasgos fenomenais embaixo dos braços, desbotado... e sendo usado ao menos 3 vezes por semana intensamente.  O conserto do fecho, á primeira vista, era simples: puxá-lo até o final pra depois fechar ele inteiro, mas não consegui nem tirar o vestido porque estou com um baita corte no dedão direito, o que me impossibilita de realizar as tarefas mais simples do dia a dia. Pensei que logo ela esqueceria do vestido e iria arrumar outra coisa pra continuar com o espetáculo.

     Aí a Luana se prontificou a ajudá-la a tirar o vestido. 
- Mas e agora?
- Agora a gente guarda o vestido que amanhã eu levo o vestido na costureira pra ela trocar o fecho.
- Ah, não... mas eu quero o vestido arrumado agora!

     Vendo que a Laura ficou realmente triste com o ocorrido, a Luana, com a maior delicadeza e doçura, propôs:
- Olha só, Laura; tive uma ideia.
- O que?

Esfregando as palmas das mãos e colocando o vestido no colo, a Luana disse:
- Vamos chamar as fadinhas pra nos ajudar a consertar o vestido.
- Mas onde elas estão? Não vejo nada!
- Ah... elas estão por perto, e se a gente pedir a ajuda delas, elas vem!

     Eu e a Vanessa entramos na onda, e começamos a esfregar as palmas das mãos, junto com elas.

- Agora, vamos colocar as nossas mãos aqui no vestido e pedir pras fadinhas que nos ajudem a deixar o vestido da Laura novo.
Feito. Passados alguns segundos de total concentração das quatro, a Luana abre todo o fecho e volta a fechá-lo completamente. A cara de surpresa da Laura (e nossa também, praticipando ativamente da mágica da Luana) foi digna de ser filmada.

     Depois ela queria saber onde as fadas estavam, pois ela continuava sem vê-las. Com a mesma doçura e delicadeza, a Luana disse que elas estão sempre por perto, por mais que não possamos enxergá-las, e que sempre que a Laura precisar de ajuda, é só pedir pras fadinhas.

     Registramos a visita com fotos e no dia seguinte, a Luana mandou uma das nossas fotos cheia de fadas, pra eu mostrar pra Laura. Novamente, a carinha de encanto dela foi demais. E o episódio é relatado com o maior entusiasmo pra todo mundo.
- E tem até foto com elas! Se bem que na hora a gente não vou nenhuma...


     Ainda no dia seguinte, comentei com ela que tínhamos que levar o tecido pra costureira fazer a saia de flamenco que ela há tempos me pede.
- Não precisa levar na costureira, mãe.
- Como não?!! Tu queres tanto uma saia de flamenco!
- É só pedir pras fadas da tia Luana que elas fazem a saia pra mim!

Luana, Laura, Vanessa, eu e as fadas.


quarta-feira, 16 de março de 2016

A magia da cama dos pais.

     Desde recém nascida, a Laura dorme bem. Desde os seus dois meses, ela dormia no seu quarto, no berço. Desde os dois anos, ela dorme na cama. Há uns 2, 3 meses, ela acorda na madrugada, por volta das 4, 5 da manhã, chama por nós ou e vai pro nosso quarto, pedindo pra dormir conosco.

     Antes disso, ela ia até o quarto, ficava sentada ao lado da cama até que algum dos dois acordasse. Numa dessas vezes, usando toda a calma do mundo, depois de me recuperar do susto de ver um vulto me olhando no escuro, disse que ela poderia nos chamar, sem problemas.
- Mas eu não quero atrapalhar o sono de vocês.

     Eu era uma ótima mãe até me tornar uma. Sempre dizia que cada um dormiria no seu quarto e ponto final. Agora, acordo na madrugada com o chamado:
- Mãe!
- Que...
-Vem aqui!
O certo seria me levantar, ir até o quarto da Laura, conversar a fim de persuadir a dormir ali, na sua cama. Mas o sono é maior... mal consigo fazer o chamado de volta:
- Vens tu aqui.

     Tec, tec, tec... escuto os passinhos dela e já tiro a coberta pra deixar ela se aninhar no nosso meio. Ok, ok... podem me julgar ou dizer: "eu avisei". 

     Sabia que a fase de ela vir pra nossa cama chegaria. E tanto eu quanto o Bruno estamos levando numa boa, sem stress. Gostamos quando dormimos junto dela, o problema é que a nossa cama é pequena (por sermos pequenos também e por sempre acharmos que cada um deve dormir na sua cama), sendo assim, falta lugar pra acomodar confortavelmente os três. O que acorda mais torto, leva a Laura de volta pra cama dela.

     Nas noites de trabalho dele, nos divertimos muito na cama, e acabamos dormindo juntas, ou na nossa cama, ou na cama dela. Se eu acordar antes do Bruno chegar, faço as devidas trocas, caso contrário, ele faz a mão antes de descansar (geralmente pouco antes de nós duas levantarmos...)

 5 da matina de segunda feira, o chamado se repetiu:
- Mãe!
- Que...
-Vem aqui!

    Fui. Isso porque estava sem sono, e resolvi ver o que acontecia diante de um diálogo matutino.
- Dorme comigo?
- Por que? Tu estavas dormindo aqui sozinha até agora.
- Eu tive um sonho horrível...
- Mas passou. Agora fecha os olhos e dorme de novo,
- Dorme comigo?
- Filha... a tua cama é pequena demais pra nós duas.
- Então deixa eu dormir lá na cama de vocês?
- Lá também fica apertado.
- Mas eu não quero ficar aqui sozinha... e se eu sonhar de novo?
- Mas é só pensar em coisas boas que os sonhos serão legais também.
E o diálogo matutino estendeu-se por mais um tempo. Divagamos sobre a madrugada, quantas horas faltavam pro sol aparecer, quais eram os sonhos terríveis que ela havia sonhado... até que eu comecei a sentir os olhos pesarem e tive uma ideia:
- A Bella vai dormir aqui contigo.

     Fui, tastaviando de sono, pensando que daquela madrugada em diante, ela dormiria na sua cama, pra sempre. Pensei errado. Tec, tec, tec... ouço os passinhos dela em direção ao nosso quarto:
- Mãe, não consigo pensar em nada, aí não sonho nada e preciso deitar aqui com vocês.
O sono, mais uma vez é maior do que eu. Arredo a coberta pra que ela consiga se aninhar no nosso meio.

     Quanto tempo dura essa fase? Não sei. Sei que a magia da cama dos pais habita a cabeça das crianças, o sono desses pais muitas vezes é maior do que a disciplina e tudo passa, basta dar tempo ao tempo e investir na conversa sobre os pensamentos e os sonhos lindos que eles podem ter nas suas próprias camas.

Caras e bocas na  noite das meninas.


segunda-feira, 14 de março de 2016

"Quero ficar doente"

     Há algumas semanas, a Laura contou que certos colegas ficaram doentes. O Cauã, a Mari Silva, o Lucas... até a profe não foi dar aula um dia porque esteve com problemas de saúde. Cada dia ela relatava um história de dor de garganta, febre... e durante aquela semana, ela começou a ficar "ranhenta" e com tosse. Prontamente falei coma pediatra, pelo histórico de otites que a crespa apresenta quando o nariz começa a entupir.


Na ida pra escola, perguntei:
- Será que a Mari Silva já está melhor, filha?
- Acho que sim. E acho que o Lucas também melhorou.
- Quantos coleguinhas que ficaram doentes, né?
- É... eu também queria ficar doente. Pegar uma coisa assim.
- Credo, Laura!! Por que? Ficar doente não é legal!
- Ah...  mas todo mundo vem perguntar como a gente tá... vem conversar com a gente...
- Mas tem que tomar remédio, ir no médico... o que tem de legal nisso?
- Eu queria...
- Deixa de ser boba!

     Passados alguns minutos, ela deu uma tossida feia e eu disse:
- Olha aí essa tosse...
- Tô doente mãe!!!!!

     A euforia com que ela disse a frase me fez rir.
- É verdade. Estás doente.
- Então quando a gente chegar na escola, desce e fala pra tia Miti que eu preciso deitar no colchonete pra relaxar. Quando os colegas ficam doentes, eles deitam no colchonete.

     Minha vontade era de gargalhar diante de tal pedido. Ri (por dentro) e segui rumo á creche. Lá chegando, ela fez questão de entrar de mãos dadas comigo (lembrando que há pouco tempo, ela disse que não precisava mais que eu a conduzisse até a entrada da escola, por já estar no nível II...).  Pois bem, entrei na onda, e falei pra tia Elaine e pra profe Ana que a Laura estava com coriza no nariz e tosse, por conta disso, ela precisava deitar no colchonete se não se sentisse bem.

     A profe Ana levou a conversa a sério e foi muito solícita em acompanhar a Laura até a sala de aula. Assim que as duas sumiram nas nossas vistas, comentei o pedido da crespa com a tia Elaine. No fim da tarde, fui buscá-la e soube pela profe Ana que a Laura se queixou de dor de ouvido e tomou um remédio milagroso, confeccionado na própria escola: água com açúcar.  Ali senti a malandragem da criança... Fomos consultar o o diagnóstico foi otite média em ambos ouvidos e rinosinusite. O tratamento teve início naquela noite mesmo.

     No dia seguinte, por volta das 15:00, fui avisada que a Laura estava com febre e queixando-se - de verdade - de dor de ouvido, e que, por conta disso, não tinha participado da educação física. Pensei que iria encontrá-la amuada num canto, mas não! Estava participando das atividades da turma normalmente, feliz da vida. Senti que ela não entendeu muito bem quando a profe a chamou pra irmos pra casa, mas ela obedeceu. Quando já estávamos no carro ela perguntou:
- Mas por que eu fui embora antes dos meus colegas?
- Porque tu estás com febre, filha.
- Ah, é... mas o ouvido não dói mais tanto.
- Mesmo assim, a gente vai pra casa.
- E a aula?
- A aula já era por hoje, Quando se está doente não dá pra ficar na aula, nem entrar na piscina, nem nada dessas coisas. Tem que tomar o remédio e esperar passar.
- Mas tava legal. Eu queria voltar pra aula.
- Mas e a vontade de ficar doente?

     Aí ela deu aquela bufada característica e desabafou:
- É muito chato ficar doente!
Não me contive e larguei a máxima de todas as mães:
- Eu avisei...

     Além dos vírus, bactérias, alergias, há outros fatores envolvidos: o poder da mente, o desejo de ser cuidada, acalentada como os colegas enfermos.  Fiquei sabendo que quando ela é repreendida na escola, por mais banal que seja o motivo, a dor de ouvido anda aparecendo do nada, como forma de fuga. Pelo jeito até a revisão na pediatra, a profe Ana vai ter que ministrar o remédio milagroso mais vezes.