Há alguns meses, tentei ensinar a Laura a ver as horas nos relógios com ponteiros. Minha didática pra essas e outras coisas ligadas á Educação Primária é bem precária (admiro muito as profes do Ensino Fundamental); sendo assim, não obtive muito êxito na tarefa.
Essa semana, ao buscar a Laura na escola, ela me contou toda entusiasmada no carro que a profe tinha ensinado a ver as horas naqueles relógios que tem ponteiros.
-Sério? Que legal!!
- Óh, vou te explicar: O ponteiro pequeno parca as horas. O ponteiro grande marca os minutos. Só que os números que marcam as horas, aqueles que vão de 1 até 12, também marcam os minutos. Assim: o 1 é 5, o 2 é 10, o 3... 20
- Acho que tem um 15 aí...
- É... espera aí. Deixa eu pensar.
Quis dar uma ajuda:
- Vai contando de 5 em 5.
- Deixa eu ir no meu ritmo. Acalma o coração. Vamos devagar e sempre.
E assim foi. Terminou de me explicar tudo, contando os números dos minutos corretamente. Agora, em casa, ela sempre olha o relógio da cozinha e "calcula" as horas, devagar e sempre, no ritmo dela.
Ontem almoçamos na escola, e ao sairmos do refeitório, a Laura me cutucou cochichando:
- Mãe, eu vi um guri e uma guria se beijando na boca.
- Alunos da escola?
- É! Estão ali atrás.
- Devem ser namorados.
- Devem... Que nojo... eu nunca vou beijar na boca!
-Ah, tá! Deixa eu gravar isso! Quando tu tiveres bem apaixonada, toda namorandinho, aí eu vou colocar o áudio pra ti.
- Eu não vou namorar! O amor é ilusão!
- Como assim, ilusão?
- Ilusão sim! As gurias ficam todas bobas, apaixonadas pelos guris e eles nem aí. Fica todo mundo perdido, abobado... amor é pura ilusão!
- Quem te disse isso?
- Ninguém me disse. Eu sei!
Depois de rir (por dentro), tentei fazer com que ela visse a situação de outra forma, esclarecendo certos pontos.
- Filha, amor não é isso. Amor é o sentimento mais bonito que existe. Isso que tu estás te referindo é paixão...
- Tá bom, pode até ser. Mas eu não vou namorar pra ficar abobalhada, beijando na boca... Fui!
Não gravei a conversa, mas fica registrado aqui no blog o desejo da Laura.
Hoje a Laura completa 8 anos. Marcamos a festa dela pra dia 07 de novembro, pois estão acontecendo muitas coisas (que serão devidamente registradas á seu tempo aqui) e não havia tempo hábil pra organizar uma festa pra essa semana.
O Bruno entrou em contato com a Ju, nossa amiga proprietária de uma casa de festas aqui de Santa Rosa, e a Laura falou com ela.
- Tia Ju, a minha festa vai ser sobre Paris. Quero ver contigo que roupa a gente coloca nos garçons, porque eles tem que se vestir que nem os garçons de lá. E será que a gente pode servir comidinhas de Paris? Ah! Eles tem que ficar com a bandeja numa mão e a outra pra trás.
Ontem fui até a casa de festas pra acertar os detalhes e me diverti com os pedidos da crespa. Quem vê, pensa que ela vai pra Paris todos os anos nas férias!
A vida da mulher, profissional, dona de casa, filha, irmã, amiga, esposa, yoguini e mãe da Laura, uma criança muito querida e amada. Deixo aqui um registro de todas as experiências boas e as não tão boas da maternidade, como me saio diante dos desafios e alegrias e o desenvolvimento da filhota.
sexta-feira, 25 de outubro de 2019
quarta-feira, 23 de outubro de 2019
... e as histórias continuam...
Os relatos de hoje ocorreram no inverno desse ano. Como tem a ver com o último post, vou escrever como se fosse uma sequência de fatos (o que nõ deixa de ser verdade.)
Num domingo á noite, a Laura pediu pra fazermos um bolo. Então, como sempre, deixei os paranauês prontos (batedeira com os garfos preparados, forno pré aquecendo, quantidades exatas de farinha de arroz, goma xantana, fermento, açúcar, ovos, água, cravo, baunilha...) e ela fez o resto: untou a forma, separou as claras das gemas, bateu as claras, misturou os ingredientes secos, a água e a gema na mistura dos secos e por último incorporou as claras em neve na massa.
Auxiliei a colocar a mistura da forma e a mesma no forno.
- Vou lavar a louça, tá?
- Ok.
Respondi.
Eu fiquei ao redor, secando o que já está limpo, ajeitando cozinha... Quando virei pro sofá, percebi o Bruno nos observando durante esse processo. Perguntei:
- O que foi?
- É bonito ver vocês duas juntas, envolvidas.
Também curto esses momentos e procuro aproveitá-los bastante.
Bolo no forno, louça lavada, cozinha organizada... tirei o avental e segui pra sala. Quando estava no meio do caminho, a Laura saiu com uma que nos fez arregalar os olhos e logo em seguida gargalhar:
- Vocês podiam me dar "uns pila", né?
- Uns o que? - Me virei pra ter certeza se era pila mesmo que ela estava pedindo.
- Uns "pila"! Eu fiz o bolo, lavei toda essa louça...mereço ou não mereço "uns pila"?
- Merece.
Num dia de invernos rigoroso da semana seguinte, minha sogra foi almoçar lá em casa. Como já relatei aqui, nossa alimentação é bem balanceada, e o almoço daquele dia estava no padrão de sempre. Estávamos todos sentados, nos servindo, quando a Laura propôs uma oração.
Todos de mãos dadas, ela fechou os olhos:
- Querido Jesus, que meu pai comece a dormir de pijama, que todos cuidem da natureza, que a nossa família e todos tenham saúde e que a minha mãe pare de me encher pra eu comer saudável. Que assim seja.
PS: ela não entende como o Bruno pode dormir só de cuecas nos dias frios de inverno.
terça-feira, 7 de maio de 2019
Mãe vegetariana e filha figura
Quando a Laura tinha quase 2 anos, comecei o processo do vegetarianismo. Foi uma mudança gradual e consciente. Aos poucos fui diminuindo o consumo de carne, aprendendo a substituir a proteína animal por outros alimentos e mudando meus hábitos alimentares, prepararando pratos diferentes e nutritivos (aí entra o consumo de produtos orgânicos e frescos, eliminando os industrializados). Se é fácil? Não. A pergunta que eu mais ouço é: "Mas e o que tu come então?".
Aqui em casa, o respeito prevalece. Até preparo alguns pratos com proteína animal pro Bruno e pra Laura, mas é muito de vez em quando. Quem acompanha o blog desde os primórdios, sabe que a alimentação da Laura sempre foi pauta, e como ela sempre come as mesmas coisas (ao menos até a consulta com a Caro Preilser), quem come verdadeiramente o que eu faço é eu e o Bruno.
No início do ano, inscrevi a Laura numa oficina de comida vegetariana da Joseida, minha amiga que é fera nesse tipo de alimentação. O objetivo era que a crespa se envolvesse na cozinha, independente de ter ou não carne. Claro que a Joseida explicou os paranauês dos maus tratos com os animais e tals durante a oficina, além de ensinar pratos deliciosos pras crianças.
Quando fomos buscá-la, perguntei como tinha sido a experiência.
- Foi bem legal! Aprendi a fazer um monte de coisas boas!
- Que bom! Então tu vais cozinhar comigo agora?
- Sim! Ai, mãe. A Joseida contou como os animais sofrem quando vão morrer. E que as pessoas dão remédio pras vacas darem mais leite. Coitadinhas... Sabe que eu chorei nessa parte.
- É filha... triste, né?
- Triste mesmo... mas eu gosto de carne.
Bueno... fazer o que?? Não vou proibi-la de comer carne. Quem sabe a consciência dela desperte daqui por diante.
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| Oficina de rangos vegetarianos com a Joseida |
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| Montando o hamburguer de lentilha, integrante co cardápio aqui em casa! |
A Laura passou alguns dias na casa dos meus pais em Santo Ângelo na semana da Páscoa. Segundo a Vó Mari, a crespa ficou impressionada de como o Vô passa o tempo todo assoviando.
- Vó, o Vô G assovia até no banho!!
- Claro! Ele é um home feliz!
- É... ele é um homem feliz mesmo... Porque tu faz comida boa pra ele.
A mãe riu. E ela seguiu com o raciocínio:
- Meu pai não é feliz.
- Por que não, Laura?!
- Porque a minha mãe só faz aquelas comidas "vegetarianas" lá em casa.
O "vegeratianas" saiu com aquela cara de enfarenta, virando os olhos...
A mãe, contendo o riso, respondeu:
-Ah, Laura! Tua mãe faz umas comidas bem boas!
Dando o braço a torcer ela respondeu:
- É... não é tão ruim assim.
Confesso que quase rachei no meio de tanto rir quando a mãe me contou essa história. Mas garanto que já fiz muita gente feliz com as minhas comidas vegetarianas! Quem comeu faça o favor de se pronunciar!
segunda-feira, 6 de maio de 2019
Consulta
Filho de peixe, peixinho é. Quem sai aos seus, não degenera. Esses ditados se aplicam perfeitamente na nossa família. A Laura é a cara do Bruno, tem o meu gênio e a (pouca) altura de ambos. Sabemos que sera difícil da crespa atingir uma altura elevada, mas também temos consciência de que há fatores que influenciam no crescimento (como alimentação, horário correto de sono, etc).
Temos total consciência também, que santo de casa não faz milagres - que por mais que pai e mãe expliquem certas coisas, quando um terceiro entra em jogo, as informações são assimiladas com uma rapidez impressionante. Por isso marcamos uma consulta com a Carolina Preisler, endócrino, queridona e colega de aula do Bruno (do tempo do 2º grau...).
Temos total consciência também, que santo de casa não faz milagres - que por mais que pai e mãe expliquem certas coisas, quando um terceiro entra em jogo, as informações são assimiladas com uma rapidez impressionante. Por isso marcamos uma consulta com a Carolina Preisler, endócrino, queridona e colega de aula do Bruno (do tempo do 2º grau...).
Chegamos ao consultório com todos os exames prontos (radiografia da mão, hemograma...). Sabiamente, a Caro fez a anamnese diretamente com a Laura, perguntando tudo pra ela, e recebendo respostas completas. Eu e o Bruno fomos meros coadjuvantes durante todo esse processo; só interferimos quando percebemos que o cardápio estava mais extenso do que o que ela realmente come no cotidiano:
- Me conta, Laura: como é a tua alimentação? O que tu gostas de comer?
- Ah... eu como arroz, feijão, massa, salada...
- Que tipo de salada?
- Tomate, brócolis, alface..
- E outros leguemes? Cenoura, couve flor...
- Sim, como cenoura.
Aí intervimos:
- Como é que é...?
- Tá bom... não gosto muito de cenoura.
No mais, a anamnese foi digna de ser gravada:
- E tu dormes cedo?
- É... as vezes...
- Comes muito doce?
- Não muito. Minha mãe não deixa... (me deu ula olhada, virando os olhos).
- Tu praticas algum esporte?
- Patinação artística.
- E tu vais muito pro hospital tomar soro, essas coisas?
- Não. fui uma vez, só quando eu era bem pequeninha. É que uns pedços de amendoim foram pro meu pulmão, aí a médica colocou um canudo no meu nariz pra tirar os pedaços de lá...
A consulta seguiu com o exame clínico e com a análise dos outros exames. A Caro chamou a Laura pra mostrar a idade óssea dela segundo a radiografia e ela entendeu tudo. Foi interessante ver a reação da crespa diante das orientações passadas pela médica:
- Dormir ás 22:00
- Experimentar outros alimentos (pois a gente pode se surpreender com nos novos sabores)
- Continuar fazendo exercícios físicos
Olhos atentos e concordância com a cabeça, como se fosse dona do próprio nariz (será que não é??).
Desde o dia da consulta, somente duas noites ela foi dormir tarde. Quando bater 21:30, 21:40... nós já avisamos que está na hora. Prontamente ela sobe, escova os dentes, coloca o pijama e se deita com a livro ou revista pra ler um pouquinho antes de dormir.
Na hora do almoço ou janta, o cardápio está mais variado: experimentou repolho, azeitona e outros alimentos que nunca pensei que ela fosse curtir.
Lá por novembro ou dezembro vamos novamente consultar com a Dra. Caro pra acompanhar o crescimento da Laura e reforçar as recomendações de dormir cedo e variar o cardápio (como já escrevi antes, santo de casa não faz milagre).
sábado, 17 de novembro de 2018
Amizade, Aposentadoria, etc.
Estamos nos aproximando do final do ano, e uma série de coisas aconteceram desde a última postagem.
Além de trabalhar na clínica, eu comecei a ministrar aulas de yoga, a atender (como dentista) em Horizontina e o Bruno fez as provas e é oficialmente corretor de imóveis.
Tivemos um inverno super, hiper, mega rigoroso. Isso nos fez cheirar á galpão por causa da lareira, mas curtimos muito as estações do frio.
A Laura participou do seu primeiro campeonato de Patinação (e isso merece um post exclusivo, pois foi realmente especial) e eu estreei como mãe de patinadora"on the road".
Ela está lendo e escrevendo (inclusive "paralelepípedo") e, por conta disso, a rotina noturna mudou consideravelmente. Ao invés de eu ler as histórias antes dela dormir, há alguns meses comecei a ajudá-la a ler sozinha os livrinhos. No início, ela lia três, quatro palavras e ficava olhando pra página em questão, atônita.
- Entendeu o que foi lido, Laura?
- Não. Tem muita letra mistura aqui na minha cabeça. Cansei.
- Então eu termino de ler. Isso é assim mesmo, daqui uns dias tu vais entender tudo o que está escrito na página.
Dito e feito. Com o passar do tempo, ela conseguiu ler uma página inteira e entender o que dizia ali. Depois de mais um tempo, ela conseguiu ler livrinhos inteiros (com a devida ajuda). Agora, nos dá boa noite, vai pro quarto e lê os livros de cabo a rabo. Só chama quando não compreende a escrita de algumas palavras.
Mas vamos ás histórias da Laura, antes que as mesmas se percam no tempo.
DOR NO CORAÇÃO
Fui fazer minha unha no salão e a Laura queria que a Nice (cabeleireira) fizesse uma trança nela (geralmente feita quando ela corta a franja).
- Pergunta pra Nice se ela faz.
- Pergunta tu, mãe.
- Eu não! Quem quer fazer a trança? Eu ou tu?
- Mas eu tenho vergonha!
- Vergonha do que? O máximo que tu vais ouvir é um "não". E daqui há pouco nós vamos embora. Te aligera!
E assim ficamos uns 10 minutos, até que eu a convenci a perguntar pra Nice se ela fazia a dita trança.
Após a resposta, ela voltou eufórica e me contou.
- Ela vai fazer. Só vai terminar de fazer uma coisa naquela mulher ali e já faz a trança em mim.
- Ah! Te falei! E ainda ficou se ensebando, com vergonha... Doeu pra perguntar?
- Doeu.
- É mesmo? E onde doeu?
Ela colocou a mão direita no peito, perto do coração, deu umas batidinhas fazendo uma cara de sofrimento e me respondeu:
- Aqui ó.
APOSENTADORIA E OBEDIÊNCIA PATERNA
Feriado do dia do professor. Eu e o Bruno trabalhamos e a Laura passou o dia em companhia da vó Lulu (minha sogra).
As duas foram na sede do Lions realizar trabalhos manuais. A Laura adora quando tem oportunidade de passar as tardes no Lions com a vó. Gosta tanto que suspirando disse:
- Ai... não vejo a hora de me aposentar pra vir trabalhar aqui no Lions.
Nessa mesma tarde, minha sogra tinha consulta com o cardiologista, que eu não conheço pessoalmente, mas foi parceiro do Bruno nos jogos de futebol. Lá se foi a Laura acompanhar a vó Lulu no médico.
Adendo: O Bruno tem os dois joelhos operados devido ao futebol. A última cirurgia aconteceu em fevereiro, e ele não via a hora de voltar aos campos. Cada vez que se toca no assunto em casa, eu pergunto se não é mais negócio ele largar de mão essa história, porque o custo benefício desse esporte, no caso dele, tem sido bem desfavorável. Quando não é ligamento cruzado e menisco (que resultaram nas cirurgias) é uma distenção muscular aqui, outra ali... aí joga uma partida a cada 3 meses, pois tem que melhorar das encrencas.
Seguindo a história, o cardiologista bateu um papo legal com a Laura, e inevitavelmente perguntou:
- E o teu pai que não foi mais jogar bola. Tu sabes por que?
- Porque a minha mãe não deixa.
Entre risos do médico e da minha sogra, a Laura explicou:
- É que sempre que ele vai jogar bola, volta machucado, com o joelho estourado... com alguma coisa doendo... aí ela não deixa mais ele ir.
AMIGA DE BALCÃO
Há alguns meses abriu aqui em Santa Rosa um bar-café muito legal, o Vertigo. Gostamos bastante de lá por vários motivos: ambiente aconchegante, o atendimento do pessoal é sensacional e a comida ótima. O João, que trabalhou com o Bruno na época da Tao e do Boliche está lá agora, e sempre que podemos, frequentamos o bar com a Laura. Na verdade, fomos lá mais vezes com ela do que só os dois, pois adoramos a calça virada feita na hora que rola lá com café de tardinha.
Nossas cadeiras cativas encontram-se no balcão, e lá a Laura bate altos papos com o pessoal do bar e com os clientes também. Um dia, enquanto eu e o Bruno jantávamos (numa mesa), ela preferiu permanecer no balcão conversando com a Carla, mãe do proprietário do bar e nossa amiga de tempos. Sendo a Carla professora, encontrou a Laura no Dom Bosco algumas semanas depois e a levou até a sala de aula na garupa, fazendo festa. Indagada por alguém da escola de onde ela conhecia a Carla, prontamente ela respondeu:
- Ah! Ela é minha amiga de balcão!
sexta-feira, 18 de maio de 2018
Rins, unhas e "adoscelência"
A turma da Laura está estudando o corpo humano, e a curiosidade dela sobre o assunto anda aguçada. Perguntas como pra onde a comida vai quando a gente a engole, a utilidade das costelas e outras tantas tornaram-se freqüentes em casa. Uma noite dessas, ela queria assistir um vídeo sobre alguma parte do corpo humano.
- Pode ser sobre os rins?
- Pode.
- Tu sabes onde ficam os rins, Laura?
- Não.
- Ficam aqui, ó... um em cada lado das costas.
E coloquei as mãos no lugar correspondente aos rins.
- E tu sabes pra que servem os rins?
-Sei! Pra apoiar as mãos quando a gente põe elas na cintura.
E saiu desfilando com as mãos "nos rins".
Um dia, voltando da escola, estávamos no carro (eu dirigindo), e comentei que precisava ir á manicure dar um jeito nas minhas unhas. A Laura veio no meio dos bancos e exclamou:
- Eu também preciso dar um jeito nas minhas unhas. Porque agora eu parei de roer as unhas e preciso ir no salão pra pintar, ajeitar... essas coisas.
- Que legal! Então tu não estás mais roendo as unhas! Parabéns!
O Bruno pegou nas mãos dela e disse:
- Ué... mas elas estão tão curtinhas!
- É que eu parei ontem de roer. Não deu tempo de crescer ainda.
A Laura adora a Luna, protagonista de uma série em espanhol. Trata-se de uma adolescente de uns 14, 15 anos, calculo eu. Na série ela patina e é uma guria do bem (como toda protagonista) e, como já mencionei, é a ídola mor da crespa. Hoje pela manhã, ela quis que eu fizesse o penteado da Luna. Após várias explicações e exemplificações de como eu deveria prender os cabelos, eis que obtive êxito no penteado.
Vendo o resultado satisfatório no espelho, concluiu:
- Ficou bom o penteado; a Luna usa bem assim o cabelo... Mas é que ela tem mais cabelo, porque ela é maior, uma adoscelente.
Nota: ela falou com o sotaque do "ti" no final, então ficou "adoscelenti". Tive que me virar pra rir sem que ela percebesse.
quarta-feira, 9 de maio de 2018
Colhendo os frutos
Participei de um retiro focado em Refinamento Espiritual na última semana, em Nova Petrópolis. Viajei na segunda feira (30-03) e retornei somente no domingo (04-05). Conheci (e reencontrei) pessoas especiais, estabelecendo conexão profunda com todos. Foi uma experiência ímpar, profunda e inesquecível.
Por conta desse programa, fiquei uma semana longe de casa, coisa que desde outubro do ano passado não acontecia (período que terminei a Especialização de Implanto). Quando cheguei (4:30 da manhã de segunda), fui avisada pelo Bruno que a laura estava muito saudosa.
Percebi isso logo, pois o grude comigo desde segunda feira é grande. Estou compensando todos esses dias que fiquei fora dando a ela toda a atenção possível; brincando, lendo, estando presente em todos os momentos, inclusive no banho. Ela me ajuda a lavar a louça, a organizar a casa e me abraça e me beija á todo instante, junto com declarações de amor.
Fui tomar banho no banheiro dela, e deixei a calça (que estava limpa) encima do vaso e o restante da roupa suja num canto no chão. Quando ela terminou de tirar a roupa, percebi que tinha colocado tudo encima de um apoio (banco) que fizemos pra que ela alcance a pia. Ao ver onde eu havia deixado as roupas, ela disse:
-Mãe, não deixa as roupas espalhadas. quero deixar meu banheiro organizado, então vamos colocar tudo o que está sujo aqui, junto com as minhas roupas.
Achei lindo ela querer deixar o banheiro em ordem. E ouvindo ela, a impressão que deva era que eu é que estava dizendo aquillo, tamanha a semelhança do meu jeito de falar e do meu tom da voz.
Outra situação que me deixou com o coração cheio de alegria aconteceu na segunda de noite. O suspense sobre a apresentação do dia das mães (que será logo mais á tardinha, hoje) está grande. Me dizendo coisas nas entrelinhas pra não estragar a surpresa, ela perguntou algo sobre um bilhete na agenda.
- Não vi o bilhete, filha.
Respirando fundo e revirando os olhos, ela exclamou:
- Agora tu só quer saber de yoga, né??
- Não é isso! A tua agenda não veio hoje!
- Ah, tá... Mas e falando em Yoga, aprendeu algum mantra novo? Coloca um aí pra gente escutar!
Prontamente coloquei um mantra lindo, que escutei por horas e horas durante o retiro em meditação . Não sabendo bem como entoá-lo, ela prestou atenção em como eu cantava e em seguida subiu no balcão do festeiro, desenhou um coração na parede e começou a fazer alguns ásanas.
Ai, meu coração!!! Consegui registrar somente um deles, pois fiquei hipnotizada admirando aquela cena.
Depois de um tempo, ela resolveu danças ao som do mantra. Aí embaixo estão os registros.
As cenas do banheiro e a do festeiro me mostram cada vez mais que filho se cria com exemplo. Da organização da casa á espiritualidade, eles absorvem tudo o que a gente passa. Esse é o melhor presente de dia das mães que eu poderia receber: colher os frutos dos ensinamentos que passo pra Laura.
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| Raja Natarajásana |
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