quinta-feira, 18 de novembro de 2021

EDUCAÇÃO SEXUAL - "ATO I" - "Eu sei o que é transar."

      Você aí, que está lendo esse relato, tenho uma pergunta:

     Como você descobriu o sexo? Seus pais te explicaram, foram os amigos, primos mais velhos ou a vida mesmo?

     Na minha vez, ganhei um livro dos meus pais (que tenho até hoje) sobre uma família formada de pai, mãe, irmão e irmã, que foram numa fazenda visitar um tio. Lá ele explicou a reprodução dos animais (galinhas, bois/vacas, ovelhas...) e os pais explicaram a relação entre homem e mulher. Tudo bem didático.

      Resolvi separar essa história em post distintos, conforme as épocas em que os eventos ocorreram, e porque quando sento pra escrever, por vezes me perco nas palavras, pois quero contar tudo tim tim por tim tim, e se torna cansativo, pois sinto que se não for assim, não estarei sendo fiel aos fatos. Por vezes já comecei a escrever sobre isso aqui, sem nunca concluir. 

     Lá em 2018 (ainda morávamos em Santa Rosa), eu buscava a Laura na escola e íamos até a Imobiliária que o Bruno trabalhava para esperarmos o fim do seu expediente, assim voltávamos pra casa os 3 juntos. Na época, a Bruna trabalhava na parte dos aluguéis e o Bruno era o único corretor que ficava até a imobiliária fechar. Como o movimento é tranquilo no fim da tarde, a Bruna e a Laura se divertiam juntas. Ela tinha 6, 7 anos.

     Certo dia, depois de bater altos papos com a Bruna, dando conselhos amorosos pra ela, falando do seu dia na escola e mais um monte de assuntos, ela sentou numa cadeira com rodinhas e começou a ir de um lado à outro do balcão se empurrando, e disse, olhando pra mim:

- Eu sei o que é transar.

      A Bruna gargalhou e exclamou:

- Ahhh, chegou a hora de vocês terem aquela conversa em família! Meu Deus!!

     Eu, muito atriz que sou, segurei o riso e me lembrei da primeira lição de sexualidade para os filhos: "Responda somente o que ela te perguntar." Como o que veio foi uma afirmação e não uma pergunta, só respondi:

- Então tá.

E o diálogo seguiu:

- Tu sabe o que é transar, mãe?

- Sei, sim.

     Enquanto conversávamos, a Bruna ria muito, atenta ao que estava acontecendo. Ela foi mais umas 2 vezes de um lado pra outro com a cadeira e disse:

- Tá, mesmo tu sabendo, eu vou falar o que é transar. Tá bom?

- Tá bom, pode falar.

- Transar é se beijar pelado.

     Pra manter a compostura, a Bruna segurou a gargalhada eminente, e eu também.

- Ok. - Respondi, atuando uma naturalidade digna de um Oscar.

- Mãe, tu já transou?

     Segui interpretando naturalidade e rindo muito por dentro (quem nunca riu por dentro que atire a primeira pedra).

- Já, Laura. Já transei.

- Com quem? 

     Nisso a Bruna me olhou com os olhos arregalados e tapou a boca com as mãos. Consegui ler o pensamento dela pra mim: "Agora fodeu...". Segui interpretando naturalidade, mesmo sentindo um calorão subindo pelo meu pescoço e rosto. Quase, quase gargalhei nessa hora.

- Com o teu pai, né Laura! 

- Que nojo, mãe!

- Que nojo por que? Pensa comigo: eu, tu e o pai sempre andamos pelados em casa, né?

- É.

- E qual é o problema da gente se beijar quando estamos pelados?

- É...

     Ela respondeu esse "é" com uma cara pensativa, olhando pro além.

     Eu e a Bruna nos olhamos como cúmplices de uma travessura típica da adolescência e que teve um resultado satisfatório. Assim o assunto se findou. Fiquei no aguardo das cenas dos próximos capítulos, que demoraram muito pra acontecer. 

     Em conversa com a Márcia, minha cunhada, descobri que provavelmente o conceito de transar veio de cenas de casais se beijando na TV, principalmente um filme que ela acha divertido e assistia às vezes na casa dela. Não vou saber o nome do filme, só sei que é com a Ingrid Guimarães. Em certas cenas, ela beijava um personagem (nada demais, estavam de roupa inclusive) e a Márcia contou que ela dizia:

- Ixx... ó lá ó, já vão transar.

     Associado á isso ela deve ter escutando alguém falar  em transar. 

     Quem? Não faço a mínima ideia.


quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Essa é das boas

      Quem me conhece (ao menos um pouco) sabe que tem certas coisas que a maioria das pessoas gosta e eu não.

     Natal, som alto são algumas dessas coisas; a outra, é gênero musical super, hiper, mega difundido chamado Sertanejo Universitário (e todas as suas vertentes modernosas). Infelizmente, pra mim, é a coisa que mais toca no Brasil há anos. Há pouco tempo, faleceu a Marília Mendonça, e eu nem sabia quem era. Conheço (de nome) algumas duplas dessas novas (novas pra mim...) ainda do tempo que o Bruno tinha a TAO (lá se vão mais de 3 anos que ele mudou de ramo), mas não tenho nem ideia das letras das músicas. Não curto.

     Muito escutei Chitãozinho e Xororó, Milionário e José Rico, Chrystian e Ralf, Leandro e Leonardo... os sertanejos das antigas, e até gosto de escutar algumas músicas desse tempo, no máximo 2 ou 3, e tá bom). Quando escuto os sertanejos e demais canções que nos instigam a cortar os pulsos com bolacha maria (hoje em dia chamam de "sofrência"), exclamo:

- Essa é das boas!

     Na grande maioria das vezes a Laura está presente quando eu exclamo minha admiração pela velha guarda do gênero musical em questão. Essa introdução toda foi pra contar um episódio que aconteceu semana passada.

     Estava voltando do trabalho (Camboriú) e parei no aniversário de uma corretora, colega de trabalho do Bruno. A comemoração aconteceu numa adega de Itapema, e tinha um músico que tocava "de um tudo", (voz, violão e volume aceitável) pra minha alegria.

     A Laura está curtindo uma música do Seu Jorge (Amiga da minha mulher). Estávamos curtindo o som e ela veio:

- Mãe, vai comigo pedir pra ele tocar a música do Seu Horge?

- Vai tu, filha!

- Ai... eu tenho vergonha.

- Vergonha do que? O máximo que tu vais escutar é que ele não sabe tocar a música que tu queres. Só isso.

- Não quero ir sozinha.

     Então o Pablo, nosso amigo e também colega do Bruno, se ofereceu pra ir com ela.

- Vamos, Laura; vou pedir uma música pra ele também.


     Após alguns minutos, volta o Pablo rindo muito, nos contando o que a Laura conversou com o músico.

- Oi! Tu sabe tocar aquela: "Ela é amiga da minha mulher, pois é, pois é..."

- Ah... conheço essa música, mas não sei tocar ela não. Desculpe.

- Ah... que pena. Toca "boate Azul pra minha mãe, então".

Virou as costas e saiu.


     Após escutar umas duas músicas, ela me contou que o músico não sabia tocar o que ela queria e que havia pedido uma pra mim. 

- Pedi "Boate Azul".

- Por que Boate Azul?

- Porque quando toca essas coisas antigas tu sempre diz: "Essa é das boas!"


Laura, Laura... a cada fase nos surpreendendo e nos divertindo mais. Essa é das boas!



terça-feira, 16 de novembro de 2021

"Calma com o assunto da bolsa."

      A Cissa (minha amiga do último post) prometeu um presente de aniversário pra Laura. No feriadão em que ela e a família estiveram por aqui, não deu tempo de ir atrás do presente, até porque ela não sabia o que a Laura gostaria de ganhar.

     Elas conversaram e decidiram que o presente seria uma bolsa. Nem muito de criancinha, nem muito de adulta. As duas se entenderam. Ao voltar pra Santa Rosa, a Cissa passou dias enviando fotos  das opções  de bolsas de diversos materiais, cores, tamanho de alças diferentes...  e a Laura respondia, às vezes do meu celular, às vezes do dela... sei que por vezes servi de pombo correio no processo.

     Semana passada, na hora do almoço, depois de mais algumas fotos de modelos de bolsas (que encaminhei pro celular do Bruno, pois eu estava trabalhando em Camboriú e a Laura não usa o celular todo o tempo), ela se decidiu por uma e mandou um recado pra tia Cissa.



     Não me aguentei, printei a conversa e mandei pra Cissa. Não sei o que se passou na cabeça dela durante os dias de antecederam a decisão pela bolsa. Provavelmente ela achou que elas iriam atrás do presente na próxima vinda da Cissa pra cá, ou quando ela fosse à Santa Rosa... Pode ser que não esperava tanto empenho assim em busca de um presente... Não sei.


     Só sei que ri muito quando li o recado. 

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Peso nos ombros, jantar com idosas e paz.

   Não me recordo da última vez que postei aqui no blog. Só sei que além da pandemia, vários pandemônios coabitaram comigo e com o pequeno núcleo Turra Sala. Desde coisas pequenas, "DR's" de casal e família, passando por perrengues escolares (totalmente contornados) até tumor cerebral e a passagem do do pai pra outro plano. Se 2020 foi exigente, 2021 veio pra mostrar que temos capacidade de crescer (e muito) em meio às adversidades.


    Me proponho aqui a relatar um episódio da Laura que eu não estava junto, ocorrido no último feriadão (02/11/2021). Ela estava jantando (sem pai nem mãe) com amigos muito queridos de Santa Rosa, que vieram pra cá no feriado. Durante um tempo ,ficou de papo com a Cissa e a Mercedes (situando quem não sabe quem são nossos amigos: A Cissa e o Marcelo são pais do Tomás e do Vicente, a Mercedes é avó dos meninos, mãe da Cissa). Perguntou pra Mercedes se ela conhecia fulana, sicrana... e mais algumas senhoras que fazem arte do Lions Clube de Santa Rosa (parceiras da minha sogra). Ao constatar que a Mercedes conhecia todas elas, a Laura disse:

- Elas são todas minhas amigas, principalmente a Dolores. Adoro elas! E tu faz janta com as tuas amigas ás vezes? Porque tu pode me convidar pra jantar com as tuas amigas idosas - com todo respeito - tu tá muito bem, nem parece idosa! Não tá acabada, toda torta... tá ótima! Aí tu me convida que vou jantar com vocês!


     Segundo a Cissa, a Laura disse ter uma técnica pra aliviar o estresse. Ela não me falou o que era, pois prometeu manter segredo disso. Mas presta atenção no que essa técnica faz:

- Olha, tia Cissa... faz isso que eu te garanto que funciona. Tu tira a casa das costas! E se estiver muito estressada, tira não só a casa o condomínio também.


     Ela falou muito de Santa Rosa, de como gosta de lá e como se sente em Porto Belo:

- Eu AMO Santa Rosa. Amo mesmo. O pai e a mãe nunca me perguntaram se eu queria vir morar aqui, simplesmente vim! Disseram que como eu sou filha, vou onde o eles vão pra morar. Tá certo, mas eu, por mim, queria ter ficado lá. Hoje em tô em paz aqui em Santa Catarina.


"Hoje eu tô em paz em Santa Catarina" foi a frase que mais me tocou desde a vinda dela pra cá. Que bom. Não tenho palavras pra expressar o que essa frase significa pra mim. E aí entram divagações minhas, emoções e sentimentos que me vem com força desde que chegamos aqui e por tudo o que passamos até o momento.


     Que eu tenha a maturidade da Laura em dizer que, apesar de tudo o que aconteceu, eu estou em paz.


Sábia criança.





sábado, 5 de setembro de 2020

A cor do Esmalte e as divagações da vida.



     O esmalte das minhas unhas é rosa ou vermelho? Segundo a embalagem dele (e a minha percepção visual) ele é cor de rosa. Gostei demais dessa cor, e quando o Bruno chegou do trabalho, durante a conversa de fim do dia,mostrei pra ele.                                                                                
- Olha que lindo esse rosa!
- Rosa? Isso é vermelho!
- Não! É rosa!
-Vermelho.
- Rosa! Laura, vem cá! Esse esmalte é vermelho ou rosa?
- É um rosa forte.

     Não me lembro como e se o assunto se encerrou, o fato é que ontem, durante o jantar, conversávamos sobre algum assunto discordante, e a cor do esmalte veio á tona novamente, e antes que o cor de rosa ou vermelho se estendesse o Bruno concordou:
- Ok. O esmalte é cor de rosa.

Ri com  a atitude dele e aproveitei a oportunidade pra ensinar algo pra Laura:
- Laura, tu percebestes o que o pai fez? Ele concordou que a cor do esmalte é rosa, mesmo ele achando que é vermelho. Significa que muitas vezes é preferível ter paz do que razão.

     Vi que o Bruno concordou com cabeça, emboçando um sorriso. Mas a resposta da Laura foi a melhor, apoiando a cabeça com as mãos, ela sorriu pra mim e respondeu, meigamente:

- Mas e tão bom ter razão...

     Depois dessa concluí que temos um longo caminho pela frente.



 

terça-feira, 14 de julho de 2020

Os seios da família.

     O desenvolvimento físico da Laura é nítido, mesmo pra nós, que convivemos com ela diariamente. Toda semana eu me pego pensando: "Como ela cresceu...". A cada dia ela fica mais comprida, com menos cara de criancinha. Esses dias no banho (quando por vezes ela me chama pra sentar no vaso e bater papo enquanto ela se lava), ela me disse:
- Mãe, acho que os meus peitos estão crescendo.
- Capaz, Laura! - Respondi, incrédula.
- Olha aqui então!

     E fui conferir. Verdade seja dita: os seios estão apontado, muitíssimo pequenos ainda, mas estão se desenvolvendo. Pergunto pras mulheres que estão lendo esse post: Vocês se lembram de quando perceberam que os seus seios estavam crescendo?  Eu não me lembrava. Até ver que isso está acontecendo com a Laura.

     Pergunto agora aos pais de meninas que estão ou já passaram por essa fase: como está sendo ou foi? Sei que o Bruno não acompanhou de perto essa fase da Luiza e até o momento relatado á seguir, não estava por dentro do ocorrido com a Laura.


     As noites de sábado desse isolamento social são as nossas noites em família. Todos participam do preparo da janta, e durante essa refeição, conversamos bastante. Numa dessas noites, estávamos conversado sobre as responsabilidades que a gente vai adquirindo ao longo da vida, de como é crescer, se tornar adolescente, depois adulto... Aí a conversa chegou no ponto que eu quero registrar aqui:
- Pai, sabia que meus peitos estão crescendo?

A reação do Bruno foi inesperada e muito, muito engraçada.

     Ele engoliu a comida que estava na boca, super sério, começou a desabotoar a camisa. Ali eu já comecei a rir, sem imaginar o que estava passando na sua cabeça. Enquanto desabotoava a camisa nos olhava com um jeito fechado, parecendo ameaçador; e eu e a Laura de olhos arregalados. De repente, ele pegou nos peitos dele e disse:
- Ó pra ti! Eu também tenho peito! Quero ver se os teus vão ficar desse tamanho!

     A nossa reação foi uma alta e divertida gargalhada familiar.

     Isso aconteceu há mais ou menos um mês e pouco, e de lá pra cá venho percebendo que vou ter que comprar o primeiro sutiã da crespa em breve.



terça-feira, 30 de junho de 2020

O último dia da metade do ano mais louco das nossas vidas (até agora).

     30/06/20 Situação atual: a vizinha que mora no apartamento abaixo do nosso, positivou pro Covid-19. Por conta disso, eu e a Laura estamos mais reclusas do que nunca, o único que sai de casa é o Bruno, e com os cuidados redobrados.

     A Bella fez sua primeira raspagem odontológica com anestesia (antes eu fazia o serviço, com algumas curetas periodontais antigas). O bafão estava insuportável, e mesmo sabendo dos riscos por ser uma senhora canina, arriscamos. Voltou pra casa meio tonta, mas se recuperando bem,

     O tempo em SC deu uma virada desde o final de semana e hoje fomos agraciados com um tornado. Era umas 16:30 da tarde, a Laura estava brincando depois de assistir a aula online e fazer as tarefas, eu, terminando de assistir um curso. Olho pra janela da área de serviço e chamei a crespa correndo, pra ver a tempestade que se aproximava. As janelas de dois dos quartos não venceu o volume d´água com o vento (muito forte) e tivemos que correr com panos pra estancar as cachoeiras que vertiam nas paredes abaixo das janelas.  Correria, medo, consegui puxar o que estava na sacada pra dentro do apartamento, pra que não voasse nada pra fora e machucasse alguém. Vimos o telhado do pavilhão aqui ao lado perder o zinco, telhas das casas vizinhas voarem, o barulho do vento muito alto nas nossas janelas e portas. Os dois portões ds garagens aqui do prédio se desmancharam e voaram longe.Um estouro forte nos deixou sem energia elétrica.

     Vi que a Laura ficou assustada. Disse que estava tudo bem, agradeci a ajuda dela na hora de secar os quartos e, depois de tudo em ordem, como ainda tinha luz natural, fomos jogar dominó. Algumas partidas depois, ela foi lanchar, eu me deitei no sofá e cochilei. Quando acordei, já estava escuro, e a Laura sem saber o que fazer. Ela pegou uma lanterna de quando era bebê (que ainda funciona) e brincou por um tempo. Quando percebi que estávamos nos encaminhando pro breu total, me obriguei a descer pra comprar algumas velas no mercadinho.

     De volta, acendemos as velas (consegui 3 velas de 7 dias), a Laura jantou e se sentou comigo no sofá, junto com o Clóvis e a Bella (que está dormindo mais do que o normal por causa da anestesia de hoje). Ficamos olhando a chama das velas, conversando e esperando o Bruno ar notícias. 

     Passada uma meia hora, ela me lerguntou:
- Tem água na descarga do banheiro?
- Sim! Não tem luz, mas água tem, filha.
- Ah, que bom, porque eu tô "me cagando".

     Tive que rir... 

     Ela pegou uma das velas e foi em direção ao banheiro. Como tem pouca (ou nenhuma) experiência com vela, começou a pingar cera quente nos dedos dela.
- Ai, ai, ai!!!!!

     Colocou a vela de volta na mesa, e eu dando risada.

- Como é que eu faço?
Dei toda uma explicação de como segurar a vela e cuidar pra cera não cair nas mãos. 
Nova tentativa. Caiu mais cera ainda.
- Ai, ai!!!! Mas que coisa!

     Ela largou a vela e começou a rir, junto comigo. Sabes quanto tu não tens força de se levantar de tanto que ri? Pois eu estava assim. Quando recuperei as forças e nós paramos de rir (um pouco), levei a vela até o banheiro pra ela.

     O Bruno voltou pra casa quase 20:00, ficou ajudando a colocar tapumes na Imobiliária, pois vários vidros de lá quebraram com o temporal. Ficamos sem luz mais um tempo, Graças a Deus vamos terminando o dia de hoje em casa, protegidos.


     Segundo a previsão do tempo, vem mais mais temporal nessa madrugada. E pensar que estamos na metade desse ano. 



Como será o segundo semestre?

Sem mais.
As velas e o término das tarefas escolares.

sábado, 13 de junho de 2020

Relatos de um jantar em família

     Nosso jantar do dia dos namorados, independente de estarmos em isolamento social, seria em casa de qualquer jeito. Isso por estarmos em um lugar novo, sem a rede de apoio de avós, tias, etc pra deixar a Laura e curtir um jantar a dois. 

     Então, o Bruno se encarregou do cardápio e lá fomos nós três em direção á mesa. A Laura achou que comeria algo diferente, mas ele explicou  o porquê da escolha desse prato:
- Foi com essa massa que eu conquistei a tua mãe, filha. E esse queijo é o nosso preferido...

     O queijo em questão é um grana padano, uma coisa de louco de tão bom. E, entre uma garfada e outra, contamos pra ela um pouco da nossa história envolvendo a massa e o queijo.  Aí me lembrei de um fato e contei pra crespa:
- Dizem que mulher grávida tem desejos, né?
- É...
E percebi que ela ficou com um ar pensativo.

- Sabia que quando eu estava grávida, eu tive desejo de comer essa massa com esse queijo aí? Só que, naquela época não tinha ele pra vender em Santa Rosa. Quando fomos pra Porto Alegre, compramos o queijo e o pai fez essa massa pra mim. Nossa... comi feliz da vida!

- Sabem... eu li uma história que tinha essa coisa de desejo de grávida. Espera aí que eu vou buscar o livro.

     E lá se foi ela pro quarto. Voltou correndo com um livro da Rapunzel, de uma coleção da Turma da Mônica, que ela ganhou do vô Bruno quando ainda era um bebê.

- Tá aqui!
 E leu o trecho do livro em que a mulher grávida espiava a plantação de rabanetes da bruxa, e ficou com desejo de comer uma salada de rabanetes...

     Nessa hora, sorri pro Bruno, e ele sorriu de volta. Pensei comigo: "Todas as noites que eu li pra ela quando era bem pequenininha, todas as vezes que ajudei nas palavras novas... valeram á pena."

     A noite transcorreu cheia de carinho, histórias e conversas. Foi muito bom ver a Laura interessada nos livros, o Bruno empenhado em fazer a "nossa massa", os bichos nos nossos pés...

Contentamento. Foi o sentimento desse 12/06.
 
12/06/20 


quarta-feira, 10 de junho de 2020

Diversão "mode on" nos quase 90 dias de isolamento social

     A rotina do isolamento social sofreu algumas alterações nas últimas semanas. Sem motivo aparente, nos último mês a Laura está acordando junto conosco (por volta das 6:30, 7:00). Pela ganho de tempo, decidimos não seguir á risca as aulas online, e sim adiantarmos as matérias e somente tirarmos as dúvidas (caso hajam) durante as aulas.  Com isso, conseguimos qualidade nas brincadeiras e afazeres diários.

     Quando ela acorda após às 8:30, parece que o dia já está acabando:
- Ah, não!! Já são 9:00!! Não vai dar tempo nem de tomar café, porque daqui há pouco já é hora do almoço!!


     Mesmo passando por essa fase nova pra todos, há coisas que seguem o seu curso inerente á nossa vontade: as crianças crescem e com isso, as roupas "encurtam". Fiquei dias procurando calças pra crespa, pois as que ela tem estão pelas canelas, e mesmo que a gente pense: "Mas estamos só em casa... não tem problema ficar com as calças curtas.", quando todas elas apertam nos fundilhos, é sinal de que o guarda roupas precisa de algumas peças novas.

     Procurei nas lojas locais (aqui em Porto Belo) e sem achar nada, fui subindo em direção á Itapema. Nada. Me obriguei á ir até Balneário Camboriú nas lojas Renner, pois sei que lá encontraria exatamente o que precisava pra Laura. Almoçamos por lá e voltamos pra casa em tempo de passar a matéria do dia e brincar.

     Vi que ela pegou a tesoura e levou a sacola com as calças e moletons pro quarto. Fui atrás. Ela estava cortando as etiquetas, dobrando tudo em um montinho pra guardar depois. Com uma cara de "importante", ela me disse:
- Sou uma filha fantástica mesmo...
- É?
- Claro! Olha só o que eu tô fazendo: cortando as etiquetas, dobrando tudo... isso era trabalho pra ti, mas eu faço! Eu arrumo o meu quarto, faço minhas tarefas, dou comida pro peixe, junto os cocôs do Clóvis, lavo a louça... 
Aí ela ficou pensativa e completou:
- ... ás vezes, bem ás vezes eu lavo a louça.

     Mas segue sendo uma filha fantástica, com certeza.



     Os treinos de patinação voltaram ao normal no final de abril. Como o pessoal ficou 2 meses parados, pra recuperar essas aulas, todos os dias a Laura tem treino. Tudo com muita responsabilidade por parte da professora, que dividiu as turmas a fim de evitar aglomerações, os patinadores mantêm distância entre eles|, se higienizam a cada pouco com álcool gel...   Então após o horário norma de aula (em casa), levo ela até a escola para os treinos.

     Teve um dia que os estudos renderam muito, a Laura estava concentrada e a matéria foi vencida e adiantada em umas 2 aulas. Esquecemos de lanchar, de tanto que nos envolvemos com matemática, geografia... Quando olhei no relógio, já estava na hora da aula de patinação. E lá fomos nós. 

     Ao final do treino, encontramos uma amiga nossa, a Rúbia. Obviamente a Laura estava faminta e pediu comida. a Rúbia perguntou, brincando:
- Mas a tua mãe não te deu comida hoje?
Sarcasticamente ela responde pra Rúbia, me fuzilando com os olhos:
- Pouca comida. Hoje eu comi letras, números...

     O jantar naquela noite foi caprichado, pois a estudante mereceu.



sexta-feira, 24 de abril de 2020

Registros e perspectivas

     Separando alguns registros de fotos desse primeiro mês de isolamento social, não pude deixar de pensar em algo que aprendi durante esse período: Perspectiva. 
No dicionário, a tradução está como "técnica de representação tridimensional que possibilita a ilusão de espessura e profundidade das figuras."

     Na atual circunstância, se aplica na possibilidade, mesmo que ilusória, de analisar a profundidade  alguma situação desagradável pra ti, sob a ótica de pessoas que se encontram em uma situação diferente. 

     Não vou citar todas as situações que coloquei em prática esse ensinamento, mas a proposta desse post é fazer com que as pessoas que estão lendo exercitem isso.

Vamos á alguns exemplos:

Início da quarentena: 
"Vou estocar comida pra um mês. Tenho que garantir que não vá faltar nada. E vou avisar todo mundo pra fazer o mesmo."

Da perspectiva de quem não tem condições de fazer um rancho e chega aos supermercados pra fazer as compras básicas do dia ou semana e encontra as gôndolas vazias, quem fez estoque de comida definitivamente não pensou nos demais.

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Redes Sociais e WhatsApp:  milhares e milhares de notícias e estatísticas de fontes "confiáveis" (o tio da amiga da sobrinha da minha vizinha que é médico... e por aí vai...) enchem os nossos celulares.
"Ah! Vou compartilhar  a informação em todos os meus grupos que comer 5 dentes de alho 3 x ao dia e dar 3 pulinhos com o pé direito mata o vírus! Aí não preciso ficar em casa trancafiada. Vou pra rua!"

Da perspectiva dos profissionais que estão trabalhando incessantemente tanto na busca de tratamentos cada vez mais eficazes quanto no tratamento dos contaminados do Covid-19 e dos demais acamados do mundo (sim, porque as pessoas seguem doentes de todas as outras enfermidades antes da pandemia), tal simpatia do alho e dos pulinhos e tantas outras deveriam ter sua fonte investigada, a fim de não passar notícias falsas (no bom e velho português) adiante. 

-

"Isso tudo é exagero. Onde já se viu andar de máscara na rua, pra cima e pra baixo?"

Da perspectiva de pessoas que tiveram familiares contaminados pelo Covid-19, quem pensa assim está dando muito mole, pois pra eles, o uso de máscaras é uma medida importante no combate ao contágio.

-

Pensem aí e me digam as perspectivas das reclamações de vocês. Eu fiz das minhas, e aprendi muito.
Só tenho que agradecer por ter uma casa, comida na mesa e saúde nesse período.

Segue algumas fotos desse mês que passou. Em casa.

Álbuns de fotografia saíram do armário.

Álbuns de fotografia II.



Banho de sol de tardinha com uma ótima trilha sonora.

Almoçando "fora".

Pedicure.

Pedicure II.

Sofá disputado.

Aula de Educação Física.

Barraca armada na sacada.

Forca.

Forca II.

Banho de sol na sacada com chimarrão.

Vareta.

Yoga com acompanhantes.

Estudos.

Banho de sol e mexe mexe.

Longos cochilos.

Penteados.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

2020 de Janeiro á Abril

     Não sei qual foi a última vez que escrevi aqui no blog. Passei o olho e vi que só fiz quatro postagens em 2019. Foi um baita ano, em vários aspectos. Aconteceram mudanças internas e físicas. Evoluímos como família e mudamos de Estado. O Bruno veio pra Porto Belo em outubro, eu em dezembro e a Laura em fevereiro.

     Como diz o ditado: Ano novo, vida Nova! 
Aí, chegou o Covid-19, de mansinho. Ouvíamos sobre ele na China, lá pelo início de fevereiro. Nos primeiros dias de março, notícias do fechamento da Disney, Museu do Louvre... e na outra semana, não estávamos autorizados a sair de casa. Conversamos com amigos que moram na Europa, já em isolamento social antes de nós: A situação realmente era delicada.  A Luiza veio ao Brasil e não podemos nos encontrar com ela. 

     As aulas da Laura foram suspensas inicialmente até 30 de abril. Prorrogadas até 30 de maio passados alguns dias. Conteúdo em casa, passado pelo aplicativo da Escola. Eu e o Bruno nos olhávamos e não sabíamos o que dizer um pro outro, a não ser um "que loucura" vez ou outra.

     Nos reinventamos, montamos uma rotina que foi bem legal nos primeiros 15 dias. Depois disso, o Bruno voltou a trabalhar e as férias de inverno da Laura foram adiantadas. O número de casos do vírus em SC fez com que as autoridades restringissem ao máximo a circulação das pessoas nas cidades vizinhas (que aqui onde moramos, é uma ao lado da outra, ligadas por praias, morros..., mas tudo muito próximo). Novamente adaptação na rotina.

     Já completamos 1 mês em isolamento social, saindo o mínimo possível, com os devidos cuidados. Lá pelas tantas, num dos dias lindos de sol que fizeram durante esse tempo (choveu 1 dia só), o Bruno me olhou e perguntou:
-  Algum dia na vida, tu pensou que iria viver uma coisa assim?
- Nunca. 
Respondi.

     Numa sexta á noite, estávamos os 3 na mesa, após o jantar, conversando. A Laura disse que não quer ser fluente em Inglês, então veio á pauta a importância disso, em como é bom viajar e poder se comunicar, pois na grande maioria dos lugares alguém fala Inglês. Veio História no meio da conversa. Contamos sobre a nossa experiência na Alemanha, alguns meses atrás, de como foi forte conhecer o muro de Berlin, que a gente tinha estudado na Escola e como foi impactante estar ali. Explicamos sobre a Guerra Fria e da divisão do país, entre outras coisas. 
Como sempre, quando nos referimos há tempos remotos, a Laura pergunta se naquela época o mundo era preto e branco. Explicamos que não, mas que ainda  há pessoas vivas que passaram pelos campos de concentração.

     Nessa hora o Bruno disse uma coisa que me tocou bastante:
- A gente tá fazendo parte da História agora, Laura. Já pensou quando tu estiveres conversando com os teus netos e eles perguntarem o que foi o Covid-19? Tu vais responder: "Eu vivi naquela época! Fiquei sem poder brincar com meus amigos, ninguém ia pra escola, estudávamos em casa, todo mundo tinha que andar de máscaras se precisasse sair..."
 Aí ela completou:
- Mas teve momentos bem legais! A gente brincou bastante com a Bella e com o Clóvis, entre a gente também! Tomamos chimarrão, dormimos na barraca (na sacada), fizemos bolo, suco...


     E é isso. Já tem um infinidade de textos lindos á respeito desse período histórico que estamos vivendo. Só espero que, como humanidade, consigamos passar por tudo isso saindo mais unidos, independente de ideologia partidária, credo, cor e interesse de qualquer natureza.

     Seguimos, evoluindo.


sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Histórias novas: relógio com ponteiros, o amor e Paris

Há alguns meses, tentei ensinar a Laura a ver as horas nos relógios com ponteiros. Minha didática pra essas e outras coisas ligadas á Educação Primária é bem precária (admiro muito as profes do Ensino Fundamental); sendo assim, não obtive muito êxito na tarefa.

Essa semana, ao buscar a Laura na escola, ela me contou toda entusiasmada no carro que a profe tinha ensinado a ver as horas naqueles relógios que tem ponteiros.
-Sério? Que legal!!
- Óh, vou te explicar: O ponteiro pequeno parca as horas. O ponteiro grande marca os minutos. Só que os números que marcam as horas, aqueles que vão de 1 até 12, também marcam os minutos. Assim: o 1 é 5, o 2 é 10, o 3... 20
- Acho que tem um 15 aí...
- É... espera aí. Deixa eu pensar.
Quis dar uma ajuda:
- Vai contando de 5 em 5.
- Deixa eu ir no meu ritmo. Acalma o coração. Vamos devagar e sempre.

E assim foi. Terminou de me explicar tudo, contando os números dos minutos corretamente. Agora, em casa, ela sempre olha o relógio da cozinha e "calcula" as horas, devagar e sempre, no ritmo dela.


 Ontem almoçamos na escola, e ao sairmos do refeitório, a Laura me cutucou cochichando:
- Mãe, eu vi um guri e uma guria se beijando na boca.
- Alunos da escola?
- É! Estão ali atrás.
- Devem ser namorados.
- Devem... Que nojo... eu nunca vou beijar na boca!
-Ah, tá! Deixa eu gravar isso! Quando tu tiveres bem apaixonada, toda namorandinho, aí eu vou colocar o áudio pra ti.
- Eu não vou namorar! O amor é ilusão!
- Como assim, ilusão?
- Ilusão sim! As gurias ficam todas bobas, apaixonadas pelos guris e eles nem aí. Fica todo mundo perdido, abobado... amor é pura ilusão!
- Quem te disse isso?
- Ninguém me disse. Eu sei!

Depois de rir (por dentro), tentei fazer com que ela visse a situação de outra forma, esclarecendo certos pontos.
- Filha, amor não é isso. Amor é o sentimento mais bonito que existe. Isso que tu estás te referindo é paixão...
- Tá bom, pode até ser. Mas eu não vou namorar pra ficar abobalhada, beijando na boca... Fui!

Não gravei a conversa, mas fica registrado aqui no blog o desejo da Laura.



Hoje a Laura completa 8 anos. Marcamos a festa dela pra dia 07 de novembro, pois estão acontecendo muitas coisas (que serão devidamente registradas á seu tempo aqui) e não havia tempo hábil pra organizar uma festa pra essa semana.

O Bruno entrou em contato com a Ju, nossa amiga proprietária de uma casa de festas aqui de Santa Rosa, e a Laura falou com ela.
- Tia Ju, a minha festa vai ser sobre Paris. Quero ver contigo que roupa a gente coloca nos garçons, porque eles tem que se vestir que nem os garçons de lá. E será que a gente pode servir comidinhas de Paris? Ah! Eles tem que ficar com a bandeja numa mão e a outra pra trás.

Ontem fui até a casa de festas pra acertar os detalhes e me diverti com os pedidos da crespa.  Quem vê, pensa que ela vai pra Paris todos os anos nas férias!

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

... e as histórias continuam...

Os relatos de hoje ocorreram no inverno desse ano. Como tem a ver com o último post, vou escrever como se fosse uma sequência de fatos (o que nõ deixa de ser verdade.)


Estou em empenhando bastante na cozinha, pra ver se deixo meu marido feliz. Pra deixar a filha feliz, me empenho em fazer bolos saudáveis gostosos pra ela levar de lanche. E a crespa anda se mostrando uma boleira de mão cheia! 

Num domingo á noite, a Laura pediu pra fazermos um bolo. Então, como sempre, deixei os paranauês prontos (batedeira com os garfos preparados, forno pré aquecendo, quantidades exatas de farinha de arroz, goma xantana, fermento, açúcar, ovos, água, cravo, baunilha...) e ela fez o resto: untou a forma, separou as claras das gemas, bateu as claras, misturou os ingredientes secos, a água e a gema na mistura dos secos e por último incorporou as claras em neve na massa.
Auxiliei a colocar a mistura da forma e a mesma no forno.

- Vou lavar a louça, tá?
- Ok.
Respondi. 
Eu fiquei ao redor, secando o que já está limpo, ajeitando  cozinha...  Quando virei pro sofá, percebi o Bruno nos observando durante esse processo. Perguntei:
- O que foi?
- É bonito ver vocês duas juntas, envolvidas.

Também curto esses momentos e procuro aproveitá-los bastante.
Bolo no forno, louça lavada, cozinha organizada... tirei o avental e segui pra sala. Quando estava no meio do caminho, a Laura saiu com uma que nos fez arregalar os olhos e logo em seguida gargalhar:
- Vocês podiam me dar "uns pila", né?
- Uns o que? - Me virei pra ter certeza se era pila mesmo que ela estava pedindo.
- Uns "pila"! Eu fiz o bolo, lavei toda essa louça...mereço ou não mereço "uns pila"?
- Merece.

O trabalho que merce "uns pila".

Num dia de invernos rigoroso da semana seguinte, minha sogra foi almoçar lá em casa. Como já relatei aqui, nossa alimentação é bem balanceada, e o almoço daquele dia estava no padrão de sempre. Estávamos todos sentados, nos servindo, quando a Laura propôs uma oração.
Todos de mãos dadas, ela fechou os olhos:
- Querido Jesus, que meu pai comece a dormir de pijama, que todos cuidem da natureza, que a nossa família e todos tenham saúde e que a minha mãe pare de me encher pra eu comer saudável. Que assim seja.

PS: ela não entende como o Bruno pode dormir só de cuecas nos dias frios de inverno.



terça-feira, 7 de maio de 2019

Mãe vegetariana e filha figura

     Quando a Laura tinha quase 2 anos, comecei o processo do vegetarianismo. Foi uma mudança gradual e consciente. Aos poucos fui diminuindo o consumo de carne, aprendendo a substituir a proteína animal por outros alimentos e mudando meus hábitos alimentares, prepararando pratos diferentes e nutritivos (aí entra o consumo de produtos orgânicos e frescos, eliminando os industrializados).  Se é fácil? Não. A pergunta que eu mais ouço é: "Mas e o que tu come então?". 

     Aqui em casa, o respeito prevalece. Até preparo alguns pratos com proteína animal pro Bruno e pra Laura, mas é muito de vez em quando. Quem acompanha o blog desde os primórdios, sabe que a alimentação da Laura sempre foi pauta, e como ela sempre come as mesmas coisas (ao menos até a consulta com a Caro Preilser), quem come verdadeiramente o que eu faço é eu e o Bruno.

     No início do ano, inscrevi a Laura numa oficina de comida vegetariana da Joseida, minha amiga que é fera nesse tipo de alimentação. O objetivo era que a crespa se envolvesse na cozinha, independente de ter ou não carne. Claro que a Joseida explicou os paranauês dos maus tratos com os animais e tals durante a oficina, além de ensinar pratos deliciosos pras crianças.

     Quando fomos buscá-la, perguntei como tinha sido a experiência.

- Foi bem legal! Aprendi a fazer um monte de coisas boas!
- Que bom! Então tu vais cozinhar comigo agora?
- Sim! Ai, mãe. A Joseida contou como os animais sofrem quando vão morrer. E que as pessoas dão remédio pras vacas darem mais leite. Coitadinhas... Sabe que eu chorei nessa parte.
- É filha... triste, né?
- Triste mesmo... mas eu gosto de carne.

Bueno... fazer o que?? Não vou proibi-la de comer carne. Quem sabe a consciência dela desperte daqui por diante.

Oficina de rangos vegetarianos com a Joseida

Montando o hamburguer de lentilha, integrante co cardápio aqui em casa!


     A Laura passou alguns dias na casa dos meus pais em Santo Ângelo na semana da Páscoa. Segundo a Vó Mari, a crespa ficou impressionada de como o Vô passa o tempo todo assoviando.
- Vó, o Vô G assovia até no banho!!
- Claro! Ele é um home feliz!
- É... ele é um homem feliz mesmo... Porque tu faz comida boa pra ele.
A mãe riu. E ela seguiu com o raciocínio:
- Meu pai não é feliz.
- Por que não, Laura?!
- Porque a minha mãe só faz aquelas comidas "vegetarianas" lá em casa.
O "vegeratianas" saiu com aquela cara de enfarenta, virando os olhos...
A mãe, contendo o riso, respondeu:
-Ah, Laura! Tua mãe faz umas comidas bem boas! 
Dando o braço a torcer ela respondeu:
- É... não é tão ruim assim.

Confesso que quase rachei no meio de tanto rir quando a mãe me contou essa história. Mas garanto que já fiz muita gente feliz com as minhas comidas vegetarianas! Quem comeu faça o favor de se pronunciar! 

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Consulta

     Filho de peixe, peixinho é. Quem sai aos seus, não degenera. Esses ditados se aplicam perfeitamente na nossa família. A Laura é a cara do Bruno, tem o meu gênio e a (pouca) altura de ambos. Sabemos que sera difícil da crespa atingir uma altura elevada, mas também temos consciência de que há fatores que influenciam no crescimento (como alimentação, horário correto de sono, etc).

     Temos total consciência também, que santo de casa não faz milagres - que por mais que pai e mãe expliquem certas coisas, quando um terceiro entra em jogo, as informações são assimiladas com uma rapidez impressionante. Por isso marcamos uma consulta com a Carolina Preisler, endócrino, queridona e colega de aula do Bruno (do tempo do 2º grau...).

     Chegamos ao consultório com todos os exames prontos (radiografia da mão, hemograma...). Sabiamente, a Caro fez a anamnese diretamente com a Laura, perguntando tudo pra ela, e recebendo respostas completas. Eu e o Bruno fomos meros coadjuvantes durante todo esse processo; só interferimos quando percebemos que o cardápio estava mais extenso do que o que ela realmente come no cotidiano:
- Me conta, Laura: como é a tua alimentação? O que tu gostas de comer?
- Ah... eu como arroz, feijão, massa, salada...
- Que tipo de salada?
- Tomate, brócolis, alface..
- E outros leguemes? Cenoura, couve flor...
- Sim, como cenoura.

     Aí intervimos:
- Como é que é...?
- Tá bom... não gosto muito de cenoura.

No mais, a anamnese foi digna de ser gravada:

- E tu dormes cedo?
- É... as vezes...

- Comes muito doce?
- Não muito. Minha mãe não deixa... (me deu ula olhada, virando os olhos).

- Tu praticas algum esporte?
- Patinação artística.

- E tu vais muito pro hospital tomar soro, essas coisas?
- Não. fui uma vez, só quando eu era bem pequeninha. É que uns pedços de amendoim foram pro meu pulmão, aí a médica colocou um canudo no meu nariz pra tirar os pedaços de lá...

     A consulta seguiu com o exame clínico e com a análise dos outros exames. A Caro chamou a Laura pra mostrar a idade óssea dela segundo a radiografia e ela entendeu tudo. Foi interessante ver a reação da crespa diante das orientações passadas pela médica:
- Dormir ás 22:00
- Experimentar outros alimentos (pois a gente pode se surpreender com nos novos sabores)
- Continuar fazendo exercícios físicos

     Olhos atentos e concordância com a cabeça, como se fosse dona do próprio nariz (será que não é??).


     Desde o dia da consulta, somente duas noites ela foi dormir tarde. Quando bater 21:30, 21:40... nós já avisamos que está na hora. Prontamente ela sobe, escova os dentes, coloca o pijama e se deita com a livro ou revista pra ler um pouquinho antes de dormir.

     Na hora do almoço ou janta, o cardápio está mais variado: experimentou repolho, azeitona e outros alimentos que nunca pensei que ela fosse curtir.

     Lá por novembro ou dezembro vamos novamente consultar com a Dra. Caro pra acompanhar o crescimento da Laura e reforçar as recomendações de dormir cedo e variar o cardápio (como já escrevi antes, santo de casa não faz milagre).



sábado, 17 de novembro de 2018

Amizade, Aposentadoria, etc.

     Estamos nos aproximando do final do ano, e uma série de coisas aconteceram desde a última postagem.

     Além de trabalhar na clínica, eu comecei a ministrar aulas de yoga, a atender (como dentista) em Horizontina e o Bruno fez as provas e é oficialmente corretor de imóveis.
Tivemos um inverno super, hiper, mega rigoroso. Isso nos fez cheirar á galpão por causa da lareira, mas curtimos muito as estações do frio.

     A Laura participou do seu primeiro campeonato de Patinação (e isso merece um post exclusivo, pois foi realmente especial) e eu estreei como mãe de patinadora"on the road".

     Ela está lendo e escrevendo (inclusive "paralelepípedo") e, por conta disso, a rotina noturna mudou consideravelmente. Ao invés de eu ler as histórias antes dela dormir, há alguns meses comecei a ajudá-la a ler sozinha os livrinhos. No início, ela lia três, quatro palavras e ficava olhando pra página em questão, atônita.
- Entendeu o que foi lido, Laura?
- Não. Tem muita letra mistura aqui na minha cabeça. Cansei.
- Então eu termino de ler. Isso é assim mesmo, daqui uns dias tu vais entender tudo o que está escrito na página.
     
      Dito e feito. Com o passar do tempo, ela conseguiu ler uma página inteira e entender o que dizia ali. Depois de mais um tempo, ela conseguiu ler livrinhos inteiros (com a devida ajuda). Agora, nos dá boa noite, vai pro quarto e lê os livros de cabo a rabo. Só chama quando não compreende a escrita de algumas palavras.

     Mas vamos ás histórias da Laura, antes que as mesmas se percam no tempo.

DOR NO CORAÇÃO

Fui fazer minha unha no salão e a Laura queria que a Nice (cabeleireira) fizesse uma trança nela (geralmente feita quando ela corta a franja).
- Pergunta pra Nice se ela faz.
- Pergunta tu, mãe.
- Eu não! Quem quer fazer a trança? Eu ou tu?
- Mas eu tenho vergonha!
- Vergonha do que? O máximo que tu vais ouvir é um "não". E daqui há pouco nós vamos embora. Te aligera!

     E assim ficamos uns 10 minutos, até que eu a convenci a perguntar pra Nice se ela fazia a dita trança.
Após a resposta, ela voltou eufórica e me contou.
- Ela vai fazer. Só vai terminar de fazer uma coisa naquela mulher ali e já faz a trança em mim.
- Ah! Te falei! E ainda ficou se ensebando, com vergonha... Doeu pra perguntar?
- Doeu.
- É mesmo? E onde doeu?

     Ela colocou a mão direita no peito, perto do coração, deu umas batidinhas fazendo uma cara de sofrimento e me respondeu:
- Aqui ó.

APOSENTADORIA E OBEDIÊNCIA PATERNA

 Feriado do dia do professor. Eu e o Bruno trabalhamos e a Laura passou o dia em companhia da vó Lulu (minha sogra).
As duas foram na sede do Lions realizar trabalhos manuais. A Laura adora quando tem oportunidade de passar as tardes no Lions com a vó. Gosta tanto que suspirando disse:
- Ai... não vejo a hora de me aposentar pra vir trabalhar aqui no Lions.

     Nessa mesma tarde, minha sogra tinha consulta com o cardiologista, que eu não conheço pessoalmente, mas foi parceiro do Bruno nos jogos de futebol. Lá se foi a Laura acompanhar a vó Lulu no médico.

Adendo: O Bruno tem os dois joelhos operados devido ao futebol. A última cirurgia aconteceu em fevereiro, e ele não via a hora de voltar aos campos. Cada vez que se toca no assunto em casa, eu pergunto se não é mais negócio ele largar de mão essa história, porque o custo benefício desse esporte, no caso dele, tem sido bem desfavorável. Quando não é ligamento cruzado e menisco (que resultaram nas cirurgias) é uma distenção muscular aqui, outra ali... aí joga uma partida a cada 3 meses, pois tem que melhorar das encrencas.

     Seguindo a história, o cardiologista bateu um papo legal com a Laura, e inevitavelmente perguntou:
- E o teu pai que não foi mais jogar bola. Tu sabes por que?
- Porque a minha mãe não deixa. 
Entre risos do médico e da minha sogra, a Laura explicou:
- É que sempre que ele vai jogar bola, volta machucado, com o joelho estourado... com alguma coisa doendo... aí ela não deixa mais ele ir.

AMIGA DE BALCÃO

     Há alguns meses abriu aqui em Santa Rosa um bar-café muito legal, o Vertigo. Gostamos bastante de lá por vários motivos: ambiente aconchegante, o atendimento do pessoal é sensacional e a comida ótima. O João, que trabalhou com o Bruno na época da Tao e do Boliche está lá agora, e sempre que podemos, frequentamos o bar com a Laura. Na verdade, fomos lá mais vezes com ela do que só os dois, pois adoramos a calça virada feita na hora que rola lá com café de tardinha.

      Nossas cadeiras cativas encontram-se no balcão, e lá a Laura bate altos papos com o pessoal do bar e com os clientes também. Um dia, enquanto eu e o Bruno jantávamos (numa mesa), ela preferiu permanecer no balcão conversando com a Carla, mãe do proprietário do bar e nossa amiga de tempos. Sendo a Carla professora, encontrou a Laura no Dom Bosco algumas semanas depois e a levou até a sala de aula na garupa, fazendo festa. Indagada por alguém da escola de onde ela conhecia a Carla, prontamente ela respondeu:
- Ah! Ela é minha amiga de balcão!



sexta-feira, 18 de maio de 2018

Rins, unhas e "adoscelência"

     A turma da Laura está estudando o corpo humano, e a curiosidade dela sobre o assunto anda aguçada. Perguntas como pra onde a comida vai quando a gente a engole, a utilidade das costelas e outras tantas tornaram-se freqüentes em casa.  Uma noite dessas, ela queria assistir um vídeo sobre alguma parte do corpo humano. 
- Pode ser sobre os rins?
- Pode. 
- Tu sabes onde ficam os rins, Laura?
- Não.
- Ficam aqui, ó... um em cada lado das costas.
E coloquei as mãos no lugar correspondente aos rins.
- E tu sabes pra que servem os rins?
-Sei! Pra apoiar as mãos quando a gente põe elas na cintura.
E saiu desfilando com as mãos "nos rins".




Um dia, voltando da escola, estávamos no carro (eu dirigindo), e comentei que precisava ir á manicure dar um jeito nas minhas unhas. A Laura veio no meio dos bancos e exclamou:
- Eu também preciso dar um jeito nas minhas unhas. Porque agora eu parei de roer as unhas e preciso ir no salão pra pintar, ajeitar... essas coisas.
- Que legal! Então tu não estás mais roendo as unhas! Parabéns!
O Bruno pegou nas mãos dela e disse:
- Ué... mas elas estão tão curtinhas!
- É que eu parei ontem de roer. Não deu tempo de crescer ainda.




      A Laura adora a Luna, protagonista de uma série em espanhol. Trata-se de uma adolescente de uns 14, 15 anos, calculo eu. Na série ela patina e é uma guria do bem (como toda protagonista) e, como já mencionei, é a ídola mor da crespa. Hoje pela manhã, ela quis que eu fizesse o penteado da Luna. Após várias explicações e exemplificações de como eu deveria prender os cabelos, eis que obtive êxito no penteado.  

     Vendo o resultado satisfatório no espelho, concluiu:
- Ficou bom o penteado; a Luna usa bem assim o cabelo... Mas é que ela tem mais cabelo, porque ela é maior, uma adoscelente.

     Nota: ela falou com o sotaque do "ti" no final, então ficou "adoscelenti". Tive que me virar pra rir sem que ela percebesse.  

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Colhendo os frutos

     Participei de um retiro focado em Refinamento Espiritual na última semana, em Nova Petrópolis. Viajei na segunda feira (30-03) e retornei somente no domingo (04-05). Conheci  (e reencontrei) pessoas especiais, estabelecendo conexão profunda com todos. Foi uma experiência ímpar, profunda e inesquecível.

     Por conta desse programa, fiquei uma semana longe de casa, coisa que desde outubro do ano passado não acontecia (período que terminei a Especialização de Implanto). Quando cheguei (4:30 da manhã de segunda), fui avisada pelo Bruno que a laura estava muito saudosa. 

     Percebi isso logo, pois o grude comigo desde segunda feira é grande. Estou compensando todos esses dias que fiquei fora dando a ela toda a atenção possível; brincando, lendo, estando presente em todos os momentos, inclusive no banho. Ela me ajuda a lavar a louça, a organizar a casa e me abraça e me beija á todo instante, junto com declarações de amor.

     Fui tomar banho no banheiro dela, e deixei a calça (que estava limpa) encima do vaso e o restante da roupa suja num canto no chão. Quando ela terminou de tirar a roupa, percebi que tinha colocado tudo encima de um apoio (banco) que fizemos pra que ela alcance a pia. Ao ver onde eu havia deixado as roupas, ela disse:


-Mãe, não deixa as roupas espalhadas. quero deixar meu banheiro organizado, então vamos colocar tudo o que está sujo aqui, junto com as minhas roupas.

     Achei lindo ela querer deixar o banheiro em ordem. E ouvindo ela, a impressão que deva era que eu é que estava dizendo aquillo, tamanha a semelhança  do meu jeito de falar e do meu tom da voz.

     Outra situação que me deixou com o coração cheio de alegria aconteceu na segunda de noite. O suspense sobre a apresentação do dia das mães (que será logo mais á tardinha, hoje) está grande. Me dizendo coisas nas entrelinhas pra não estragar a surpresa, ela perguntou algo sobre um bilhete na agenda. 
- Não vi o bilhete, filha.
Respirando fundo e revirando os olhos, ela exclamou:
- Agora tu só quer saber de yoga, né??
- Não é isso! A tua agenda não veio hoje!
- Ah, tá... Mas e falando em Yoga, aprendeu algum mantra novo? Coloca um aí pra gente escutar!

     Prontamente coloquei um mantra lindo, que escutei por horas e horas durante o retiro em meditação . Não sabendo bem como entoá-lo, ela prestou atenção em como eu cantava e em seguida subiu no balcão do festeiro, desenhou um coração na parede e começou a fazer alguns ásanas. 

     Ai, meu coração!!! Consegui registrar somente um deles, pois fiquei hipnotizada admirando aquela cena. 

     Depois de um tempo, ela resolveu danças ao som do mantra. Aí embaixo estão os registros.

     As cenas do banheiro e a do festeiro me mostram cada vez mais que filho se cria com exemplo. Da organização da casa á espiritualidade, eles absorvem tudo o que a gente passa. Esse é o melhor presente de dia das mães que eu poderia receber: colher os frutos dos ensinamentos que passo pra Laura. 












Raja Natarajásana