sábado, 13 de junho de 2020

Relatos de um jantar em família

     Nosso jantar do dia dos namorados, independente de estarmos em isolamento social, seria em casa de qualquer jeito. Isso por estarmos em um lugar novo, sem a rede de apoio de avós, tias, etc pra deixar a Laura e curtir um jantar a dois. 

     Então, o Bruno se encarregou do cardápio e lá fomos nós três em direção á mesa. A Laura achou que comeria algo diferente, mas ele explicou  o porquê da escolha desse prato:
- Foi com essa massa que eu conquistei a tua mãe, filha. E esse queijo é o nosso preferido...

     O queijo em questão é um grana padano, uma coisa de louco de tão bom. E, entre uma garfada e outra, contamos pra ela um pouco da nossa história envolvendo a massa e o queijo.  Aí me lembrei de um fato e contei pra crespa:
- Dizem que mulher grávida tem desejos, né?
- É...
E percebi que ela ficou com um ar pensativo.

- Sabia que quando eu estava grávida, eu tive desejo de comer essa massa com esse queijo aí? Só que, naquela época não tinha ele pra vender em Santa Rosa. Quando fomos pra Porto Alegre, compramos o queijo e o pai fez essa massa pra mim. Nossa... comi feliz da vida!

- Sabem... eu li uma história que tinha essa coisa de desejo de grávida. Espera aí que eu vou buscar o livro.

     E lá se foi ela pro quarto. Voltou correndo com um livro da Rapunzel, de uma coleção da Turma da Mônica, que ela ganhou do vô Bruno quando ainda era um bebê.

- Tá aqui!
 E leu o trecho do livro em que a mulher grávida espiava a plantação de rabanetes da bruxa, e ficou com desejo de comer uma salada de rabanetes...

     Nessa hora, sorri pro Bruno, e ele sorriu de volta. Pensei comigo: "Todas as noites que eu li pra ela quando era bem pequenininha, todas as vezes que ajudei nas palavras novas... valeram á pena."

     A noite transcorreu cheia de carinho, histórias e conversas. Foi muito bom ver a Laura interessada nos livros, o Bruno empenhado em fazer a "nossa massa", os bichos nos nossos pés...

Contentamento. Foi o sentimento desse 12/06.
 
12/06/20 


quarta-feira, 10 de junho de 2020

Diversão "mode on" nos quase 90 dias de isolamento social

     A rotina do isolamento social sofreu algumas alterações nas últimas semanas. Sem motivo aparente, nos último mês a Laura está acordando junto conosco (por volta das 6:30, 7:00). Pela ganho de tempo, decidimos não seguir á risca as aulas online, e sim adiantarmos as matérias e somente tirarmos as dúvidas (caso hajam) durante as aulas.  Com isso, conseguimos qualidade nas brincadeiras e afazeres diários.

     Quando ela acorda após às 8:30, parece que o dia já está acabando:
- Ah, não!! Já são 9:00!! Não vai dar tempo nem de tomar café, porque daqui há pouco já é hora do almoço!!


     Mesmo passando por essa fase nova pra todos, há coisas que seguem o seu curso inerente á nossa vontade: as crianças crescem e com isso, as roupas "encurtam". Fiquei dias procurando calças pra crespa, pois as que ela tem estão pelas canelas, e mesmo que a gente pense: "Mas estamos só em casa... não tem problema ficar com as calças curtas.", quando todas elas apertam nos fundilhos, é sinal de que o guarda roupas precisa de algumas peças novas.

     Procurei nas lojas locais (aqui em Porto Belo) e sem achar nada, fui subindo em direção á Itapema. Nada. Me obriguei á ir até Balneário Camboriú nas lojas Renner, pois sei que lá encontraria exatamente o que precisava pra Laura. Almoçamos por lá e voltamos pra casa em tempo de passar a matéria do dia e brincar.

     Vi que ela pegou a tesoura e levou a sacola com as calças e moletons pro quarto. Fui atrás. Ela estava cortando as etiquetas, dobrando tudo em um montinho pra guardar depois. Com uma cara de "importante", ela me disse:
- Sou uma filha fantástica mesmo...
- É?
- Claro! Olha só o que eu tô fazendo: cortando as etiquetas, dobrando tudo... isso era trabalho pra ti, mas eu faço! Eu arrumo o meu quarto, faço minhas tarefas, dou comida pro peixe, junto os cocôs do Clóvis, lavo a louça... 
Aí ela ficou pensativa e completou:
- ... ás vezes, bem ás vezes eu lavo a louça.

     Mas segue sendo uma filha fantástica, com certeza.



     Os treinos de patinação voltaram ao normal no final de abril. Como o pessoal ficou 2 meses parados, pra recuperar essas aulas, todos os dias a Laura tem treino. Tudo com muita responsabilidade por parte da professora, que dividiu as turmas a fim de evitar aglomerações, os patinadores mantêm distância entre eles|, se higienizam a cada pouco com álcool gel...   Então após o horário norma de aula (em casa), levo ela até a escola para os treinos.

     Teve um dia que os estudos renderam muito, a Laura estava concentrada e a matéria foi vencida e adiantada em umas 2 aulas. Esquecemos de lanchar, de tanto que nos envolvemos com matemática, geografia... Quando olhei no relógio, já estava na hora da aula de patinação. E lá fomos nós. 

     Ao final do treino, encontramos uma amiga nossa, a Rúbia. Obviamente a Laura estava faminta e pediu comida. a Rúbia perguntou, brincando:
- Mas a tua mãe não te deu comida hoje?
Sarcasticamente ela responde pra Rúbia, me fuzilando com os olhos:
- Pouca comida. Hoje eu comi letras, números...

     O jantar naquela noite foi caprichado, pois a estudante mereceu.



sexta-feira, 24 de abril de 2020

Registros e perspectivas

     Separando alguns registros de fotos desse primeiro mês de isolamento social, não pude deixar de pensar em algo que aprendi durante esse período: Perspectiva. 
No dicionário, a tradução está como "técnica de representação tridimensional que possibilita a ilusão de espessura e profundidade das figuras."

     Na atual circunstância, se aplica na possibilidade, mesmo que ilusória, de analisar a profundidade  alguma situação desagradável pra ti, sob a ótica de pessoas que se encontram em uma situação diferente. 

     Não vou citar todas as situações que coloquei em prática esse ensinamento, mas a proposta desse post é fazer com que as pessoas que estão lendo exercitem isso.

Vamos á alguns exemplos:

Início da quarentena: 
"Vou estocar comida pra um mês. Tenho que garantir que não vá faltar nada. E vou avisar todo mundo pra fazer o mesmo."

Da perspectiva de quem não tem condições de fazer um rancho e chega aos supermercados pra fazer as compras básicas do dia ou semana e encontra as gôndolas vazias, quem fez estoque de comida definitivamente não pensou nos demais.

-

Redes Sociais e WhatsApp:  milhares e milhares de notícias e estatísticas de fontes "confiáveis" (o tio da amiga da sobrinha da minha vizinha que é médico... e por aí vai...) enchem os nossos celulares.
"Ah! Vou compartilhar  a informação em todos os meus grupos que comer 5 dentes de alho 3 x ao dia e dar 3 pulinhos com o pé direito mata o vírus! Aí não preciso ficar em casa trancafiada. Vou pra rua!"

Da perspectiva dos profissionais que estão trabalhando incessantemente tanto na busca de tratamentos cada vez mais eficazes quanto no tratamento dos contaminados do Covid-19 e dos demais acamados do mundo (sim, porque as pessoas seguem doentes de todas as outras enfermidades antes da pandemia), tal simpatia do alho e dos pulinhos e tantas outras deveriam ter sua fonte investigada, a fim de não passar notícias falsas (no bom e velho português) adiante. 

-

"Isso tudo é exagero. Onde já se viu andar de máscara na rua, pra cima e pra baixo?"

Da perspectiva de pessoas que tiveram familiares contaminados pelo Covid-19, quem pensa assim está dando muito mole, pois pra eles, o uso de máscaras é uma medida importante no combate ao contágio.

-

Pensem aí e me digam as perspectivas das reclamações de vocês. Eu fiz das minhas, e aprendi muito.
Só tenho que agradecer por ter uma casa, comida na mesa e saúde nesse período.

Segue algumas fotos desse mês que passou. Em casa.

Álbuns de fotografia saíram do armário.

Álbuns de fotografia II.



Banho de sol de tardinha com uma ótima trilha sonora.

Almoçando "fora".

Pedicure.

Pedicure II.

Sofá disputado.

Aula de Educação Física.

Barraca armada na sacada.

Forca.

Forca II.

Banho de sol na sacada com chimarrão.

Vareta.

Yoga com acompanhantes.

Estudos.

Banho de sol e mexe mexe.

Longos cochilos.

Penteados.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

2020 de Janeiro á Abril

     Não sei qual foi a última vez que escrevi aqui no blog. Passei o olho e vi que só fiz quatro postagens em 2019. Foi um baita ano, em vários aspectos. Aconteceram mudanças internas e físicas. Evoluímos como família e mudamos de Estado. O Bruno veio pra Porto Belo em outubro, eu em dezembro e a Laura em fevereiro.

     Como diz o ditado: Ano novo, vida Nova! 
Aí, chegou o Covid-19, de mansinho. Ouvíamos sobre ele na China, lá pelo início de fevereiro. Nos primeiros dias de março, notícias do fechamento da Disney, Museu do Louvre... e na outra semana, não estávamos autorizados a sair de casa. Conversamos com amigos que moram na Europa, já em isolamento social antes de nós: A situação realmente era delicada.  A Luiza veio ao Brasil e não podemos nos encontrar com ela. 

     As aulas da Laura foram suspensas inicialmente até 30 de abril. Prorrogadas até 30 de maio passados alguns dias. Conteúdo em casa, passado pelo aplicativo da Escola. Eu e o Bruno nos olhávamos e não sabíamos o que dizer um pro outro, a não ser um "que loucura" vez ou outra.

     Nos reinventamos, montamos uma rotina que foi bem legal nos primeiros 15 dias. Depois disso, o Bruno voltou a trabalhar e as férias de inverno da Laura foram adiantadas. O número de casos do vírus em SC fez com que as autoridades restringissem ao máximo a circulação das pessoas nas cidades vizinhas (que aqui onde moramos, é uma ao lado da outra, ligadas por praias, morros..., mas tudo muito próximo). Novamente adaptação na rotina.

     Já completamos 1 mês em isolamento social, saindo o mínimo possível, com os devidos cuidados. Lá pelas tantas, num dos dias lindos de sol que fizeram durante esse tempo (choveu 1 dia só), o Bruno me olhou e perguntou:
-  Algum dia na vida, tu pensou que iria viver uma coisa assim?
- Nunca. 
Respondi.

     Numa sexta á noite, estávamos os 3 na mesa, após o jantar, conversando. A Laura disse que não quer ser fluente em Inglês, então veio á pauta a importância disso, em como é bom viajar e poder se comunicar, pois na grande maioria dos lugares alguém fala Inglês. Veio História no meio da conversa. Contamos sobre a nossa experiência na Alemanha, alguns meses atrás, de como foi forte conhecer o muro de Berlin, que a gente tinha estudado na Escola e como foi impactante estar ali. Explicamos sobre a Guerra Fria e da divisão do país, entre outras coisas. 
Como sempre, quando nos referimos há tempos remotos, a Laura pergunta se naquela época o mundo era preto e branco. Explicamos que não, mas que ainda  há pessoas vivas que passaram pelos campos de concentração.

     Nessa hora o Bruno disse uma coisa que me tocou bastante:
- A gente tá fazendo parte da História agora, Laura. Já pensou quando tu estiveres conversando com os teus netos e eles perguntarem o que foi o Covid-19? Tu vais responder: "Eu vivi naquela época! Fiquei sem poder brincar com meus amigos, ninguém ia pra escola, estudávamos em casa, todo mundo tinha que andar de máscaras se precisasse sair..."
 Aí ela completou:
- Mas teve momentos bem legais! A gente brincou bastante com a Bella e com o Clóvis, entre a gente também! Tomamos chimarrão, dormimos na barraca (na sacada), fizemos bolo, suco...


     E é isso. Já tem um infinidade de textos lindos á respeito desse período histórico que estamos vivendo. Só espero que, como humanidade, consigamos passar por tudo isso saindo mais unidos, independente de ideologia partidária, credo, cor e interesse de qualquer natureza.

     Seguimos, evoluindo.


sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Histórias novas: relógio com ponteiros, o amor e Paris

Há alguns meses, tentei ensinar a Laura a ver as horas nos relógios com ponteiros. Minha didática pra essas e outras coisas ligadas á Educação Primária é bem precária (admiro muito as profes do Ensino Fundamental); sendo assim, não obtive muito êxito na tarefa.

Essa semana, ao buscar a Laura na escola, ela me contou toda entusiasmada no carro que a profe tinha ensinado a ver as horas naqueles relógios que tem ponteiros.
-Sério? Que legal!!
- Óh, vou te explicar: O ponteiro pequeno parca as horas. O ponteiro grande marca os minutos. Só que os números que marcam as horas, aqueles que vão de 1 até 12, também marcam os minutos. Assim: o 1 é 5, o 2 é 10, o 3... 20
- Acho que tem um 15 aí...
- É... espera aí. Deixa eu pensar.
Quis dar uma ajuda:
- Vai contando de 5 em 5.
- Deixa eu ir no meu ritmo. Acalma o coração. Vamos devagar e sempre.

E assim foi. Terminou de me explicar tudo, contando os números dos minutos corretamente. Agora, em casa, ela sempre olha o relógio da cozinha e "calcula" as horas, devagar e sempre, no ritmo dela.


 Ontem almoçamos na escola, e ao sairmos do refeitório, a Laura me cutucou cochichando:
- Mãe, eu vi um guri e uma guria se beijando na boca.
- Alunos da escola?
- É! Estão ali atrás.
- Devem ser namorados.
- Devem... Que nojo... eu nunca vou beijar na boca!
-Ah, tá! Deixa eu gravar isso! Quando tu tiveres bem apaixonada, toda namorandinho, aí eu vou colocar o áudio pra ti.
- Eu não vou namorar! O amor é ilusão!
- Como assim, ilusão?
- Ilusão sim! As gurias ficam todas bobas, apaixonadas pelos guris e eles nem aí. Fica todo mundo perdido, abobado... amor é pura ilusão!
- Quem te disse isso?
- Ninguém me disse. Eu sei!

Depois de rir (por dentro), tentei fazer com que ela visse a situação de outra forma, esclarecendo certos pontos.
- Filha, amor não é isso. Amor é o sentimento mais bonito que existe. Isso que tu estás te referindo é paixão...
- Tá bom, pode até ser. Mas eu não vou namorar pra ficar abobalhada, beijando na boca... Fui!

Não gravei a conversa, mas fica registrado aqui no blog o desejo da Laura.



Hoje a Laura completa 8 anos. Marcamos a festa dela pra dia 07 de novembro, pois estão acontecendo muitas coisas (que serão devidamente registradas á seu tempo aqui) e não havia tempo hábil pra organizar uma festa pra essa semana.

O Bruno entrou em contato com a Ju, nossa amiga proprietária de uma casa de festas aqui de Santa Rosa, e a Laura falou com ela.
- Tia Ju, a minha festa vai ser sobre Paris. Quero ver contigo que roupa a gente coloca nos garçons, porque eles tem que se vestir que nem os garçons de lá. E será que a gente pode servir comidinhas de Paris? Ah! Eles tem que ficar com a bandeja numa mão e a outra pra trás.

Ontem fui até a casa de festas pra acertar os detalhes e me diverti com os pedidos da crespa.  Quem vê, pensa que ela vai pra Paris todos os anos nas férias!

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

... e as histórias continuam...

Os relatos de hoje ocorreram no inverno desse ano. Como tem a ver com o último post, vou escrever como se fosse uma sequência de fatos (o que nõ deixa de ser verdade.)


Estou em empenhando bastante na cozinha, pra ver se deixo meu marido feliz. Pra deixar a filha feliz, me empenho em fazer bolos saudáveis gostosos pra ela levar de lanche. E a crespa anda se mostrando uma boleira de mão cheia! 

Num domingo á noite, a Laura pediu pra fazermos um bolo. Então, como sempre, deixei os paranauês prontos (batedeira com os garfos preparados, forno pré aquecendo, quantidades exatas de farinha de arroz, goma xantana, fermento, açúcar, ovos, água, cravo, baunilha...) e ela fez o resto: untou a forma, separou as claras das gemas, bateu as claras, misturou os ingredientes secos, a água e a gema na mistura dos secos e por último incorporou as claras em neve na massa.
Auxiliei a colocar a mistura da forma e a mesma no forno.

- Vou lavar a louça, tá?
- Ok.
Respondi. 
Eu fiquei ao redor, secando o que já está limpo, ajeitando  cozinha...  Quando virei pro sofá, percebi o Bruno nos observando durante esse processo. Perguntei:
- O que foi?
- É bonito ver vocês duas juntas, envolvidas.

Também curto esses momentos e procuro aproveitá-los bastante.
Bolo no forno, louça lavada, cozinha organizada... tirei o avental e segui pra sala. Quando estava no meio do caminho, a Laura saiu com uma que nos fez arregalar os olhos e logo em seguida gargalhar:
- Vocês podiam me dar "uns pila", né?
- Uns o que? - Me virei pra ter certeza se era pila mesmo que ela estava pedindo.
- Uns "pila"! Eu fiz o bolo, lavei toda essa louça...mereço ou não mereço "uns pila"?
- Merece.

O trabalho que merce "uns pila".

Num dia de invernos rigoroso da semana seguinte, minha sogra foi almoçar lá em casa. Como já relatei aqui, nossa alimentação é bem balanceada, e o almoço daquele dia estava no padrão de sempre. Estávamos todos sentados, nos servindo, quando a Laura propôs uma oração.
Todos de mãos dadas, ela fechou os olhos:
- Querido Jesus, que meu pai comece a dormir de pijama, que todos cuidem da natureza, que a nossa família e todos tenham saúde e que a minha mãe pare de me encher pra eu comer saudável. Que assim seja.

PS: ela não entende como o Bruno pode dormir só de cuecas nos dias frios de inverno.



terça-feira, 7 de maio de 2019

Mãe vegetariana e filha figura

     Quando a Laura tinha quase 2 anos, comecei o processo do vegetarianismo. Foi uma mudança gradual e consciente. Aos poucos fui diminuindo o consumo de carne, aprendendo a substituir a proteína animal por outros alimentos e mudando meus hábitos alimentares, prepararando pratos diferentes e nutritivos (aí entra o consumo de produtos orgânicos e frescos, eliminando os industrializados).  Se é fácil? Não. A pergunta que eu mais ouço é: "Mas e o que tu come então?". 

     Aqui em casa, o respeito prevalece. Até preparo alguns pratos com proteína animal pro Bruno e pra Laura, mas é muito de vez em quando. Quem acompanha o blog desde os primórdios, sabe que a alimentação da Laura sempre foi pauta, e como ela sempre come as mesmas coisas (ao menos até a consulta com a Caro Preilser), quem come verdadeiramente o que eu faço é eu e o Bruno.

     No início do ano, inscrevi a Laura numa oficina de comida vegetariana da Joseida, minha amiga que é fera nesse tipo de alimentação. O objetivo era que a crespa se envolvesse na cozinha, independente de ter ou não carne. Claro que a Joseida explicou os paranauês dos maus tratos com os animais e tals durante a oficina, além de ensinar pratos deliciosos pras crianças.

     Quando fomos buscá-la, perguntei como tinha sido a experiência.

- Foi bem legal! Aprendi a fazer um monte de coisas boas!
- Que bom! Então tu vais cozinhar comigo agora?
- Sim! Ai, mãe. A Joseida contou como os animais sofrem quando vão morrer. E que as pessoas dão remédio pras vacas darem mais leite. Coitadinhas... Sabe que eu chorei nessa parte.
- É filha... triste, né?
- Triste mesmo... mas eu gosto de carne.

Bueno... fazer o que?? Não vou proibi-la de comer carne. Quem sabe a consciência dela desperte daqui por diante.

Oficina de rangos vegetarianos com a Joseida

Montando o hamburguer de lentilha, integrante co cardápio aqui em casa!


     A Laura passou alguns dias na casa dos meus pais em Santo Ângelo na semana da Páscoa. Segundo a Vó Mari, a crespa ficou impressionada de como o Vô passa o tempo todo assoviando.
- Vó, o Vô G assovia até no banho!!
- Claro! Ele é um home feliz!
- É... ele é um homem feliz mesmo... Porque tu faz comida boa pra ele.
A mãe riu. E ela seguiu com o raciocínio:
- Meu pai não é feliz.
- Por que não, Laura?!
- Porque a minha mãe só faz aquelas comidas "vegetarianas" lá em casa.
O "vegeratianas" saiu com aquela cara de enfarenta, virando os olhos...
A mãe, contendo o riso, respondeu:
-Ah, Laura! Tua mãe faz umas comidas bem boas! 
Dando o braço a torcer ela respondeu:
- É... não é tão ruim assim.

Confesso que quase rachei no meio de tanto rir quando a mãe me contou essa história. Mas garanto que já fiz muita gente feliz com as minhas comidas vegetarianas! Quem comeu faça o favor de se pronunciar!